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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 180

POV: AIRYS

Ele rosnou baixo. O som vibrou em seu peito e ecoou nos meus ouvidos como um trovão contido.

— Parece que sua mãe fazia de tudo para ocultar a sua essência. — A voz dele saiu grave, carregada de tensão. — Mas por que tanto esforço? O que ela estava tentando esconder?

— Responda, Malin! — A voz de Falconi cortou o ar, ríspida e animalesca.

Ele cravou o dedo com força em um dos cortes já abertos nas costas da minha mãe. Ela arfou alto, seu corpo se contorceu como se estivesse sendo eletrocutada. Meus olhos se arregalaram. Estremeci, pressionando os punhos ao lado do corpo. O sangue dela escorria mais rápido agora, tingindo o chão sujo sob seus joelhos.

— Como, presa aqui, conseguiu aquilo? Quem te deu? — ele rugiu. — Quem é o traidor?! Por que nossa filha toma isso?!

— Eu... eu não sei do que está falando, Falconi... — A voz da minha mãe era um sussurro quebrado, tão fraca que parecia se apagar a cada palavra. — Apenas encontrei a ampola na cela... eu não tive tempo de entender o que era... Seu carrasco chegou antes... para mais uma sessão...

Ela fechou os olhos com força, o corpo tremendo, frágil, quebrado. Mas mesmo ali, não parecia mentir. A dor era real. O desespero... sufocante.

— Mentira. — ele estalou a língua, os olhos cintilando com ódio. As garras dele se estenderam com um estalo seco.

Sem hesitar, ele a rasgou novamente. Um corte profundo, direto, brutal. O grito que saiu da boca dela me fez perder o fôlego. Arfei. Minhas pernas falharam por um instante.

Daimon se posicionou ao meu lado, mais tenso do que nunca. Senti o calor do corpo dele irradiar fúria. Ele não disse nada, mas estava pronto para agir. Qualquer movimento em falso, e ele atacaria.

— Eu sei como fazê-la falar... — Falconi sibilou.

Ele estalou os dedos.

Uma porta se abriu.

E então... o inferno entrou.

Um capanga surgiu trazendo uma criança pequena. Devia ter uns quatro anos. Era frágil, magra, e os olhos arregalados estavam vermelhos de tanto chorar. Ela tremia tanto que mal conseguia andar. Trazia um ursinho de pelúcia apertado contra o peito, tentando se esconder atrás dele, como se aquilo pudesse protegê-la da maldade que se aproximava.

Eu travei. Minha garganta se fechou. Meus olhos arderam. Era como ver meu próprio reflexo do passado sendo empurrado para a morte.

— Falconi, não... — A voz da minha mãe quebrou. — Por favor, não! Ela não tem nada a ver com isso!

Ela se debateu, puxando as correntes até os pulsos sangrarem mais ainda.

— Não precisa colocá-la no meio disso... Eu imploro... — As lágrimas escorriam de seus olhos, os ombros sacudiam em desespero. — Por favor!

A criança olhava ao redor assustada, sem entender, mas sentindo. Ela sentia o terror, o cheiro do sangue, o cheiro da loucura. E isso bastava para deixá-la apavorada.

Minha respiração ficou curta. A cabeça girava.

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