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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 182

POV: AIRYS

— Vou dar um jeito de te encontrar. Sempre dou. — disse com uma tranquilidade absurda, apontando para o meu pulso. — Estamos amarrados, lembra? Um pertence ao outro.

Engoli seco. Meu coração bateu descompassado.

E então... ele puxou a porta.

Fechou.

Na minha cara.

O som do impacto ecoou alto.

— Daimon! — bati na porta, os punhos tremendo. — DAIMON!

Do outro lado, tudo virou caos. Eu ouvia. O som das garras, os rosnados, o estalar de ossos, pancadas, rugidos abafados.

Mas ele não podia matar ninguém.

Não ali.

Não no passado.

E isso tornava tudo ainda mais perigoso.

Ele estava lutando... limitado.

Por mim.

— Merda! — gritei, socando a porta com toda força que me restava. O som abafado do impacto só fez aumentar a minha angústia.

Minha respiração estava descompassada, o peito arfando. Foi quando senti algo frio tocar meus cabelos.

Levantei o rosto devagar. A neve caía em flocos pesados, acumulando-se nos meus fios, gelando até o couro cabeludo. O contraste do calor do corpo com o toque gelado da neve me arrepiou inteira.

Mas não era só isso.

Senti. Aquela presença.

Um arrepio deslizou pela minha nuca até a base da coluna.

Virei lentamente, o coração acelerando.

Rosnados baixos romperam o silencio.

E então a vi.

A loba branca. Sentada sobre as patas traseiras, cabeça levemente inclinada, os olhos fixos nos meus. De novo. Sempre ela. Imponente. Silenciosa. Um enigma vivo.

— Você de novo... — murmurei, recuando um passo, o olhar fixo nela. — Vai me atacar de novo, é isso?

Ela não respondeu. Só ficou ali. Me estudando.

Depois se levantou, caminhando com leveza sobre a neve espessa. Deu poucos passos, então virou o rosto por cima do ombro, como se... esperasse. Apontou com o focinho para que eu a seguisse.

Olhei uma última vez para a porta. Me aproximei e toquei-a com a ponta dos dedos, como se pudesse atravessá-la e alcançar Daimon.

— Fique bem, Alfa... — sussurrei, sentindo a garganta arder. — E me encontre.

Virei de costas e fui atrás da loba branca.

Ela me levou até a entrada de uma caverna. O vento ali parecia mais forte, mais denso. A luz diminuía à medida que eu entrava.

— Você não vem? — perguntei ao perceber que ela havia parado na entrada, imóvel, como uma guardiã.

A loba apenas se virou de costas, firme, sem emitir som algum.

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