POV: AIRYS
As palavras dela martelavam minha mente. Eu mal conseguia processar.
— Assim como... Fenrir? — murmurei, perplexa, com o nome escapando de meus lábios.
“Mais do que Fenrir.”
A voz de Rielly reverberou com firmeza. Seus pelos brancos se agitaram ao redor do corpo forte, e o brilho dourado dos olhos se intensificou como uma tempestade prestes a explodir.
“E mais selvagens. Mais perigosos. Mais brutais.”
Minha garganta secou. O nome de Fenrir por si só já era o suficiente para causar um aperto entre as costelas. Mas aquilo? Era um abismo inteiro de força desconhecida que me puxava para dentro.
— Queriam isso... queriam poder suficiente para derrubar os Alfas Supremos. — concluí com a voz embargada, mas sem desviar o olhar dela. — Foi por isso que minha mãe tentou mantê-la presa... contida...
Engoli em seco, sentindo um peso estranho tomar meu peito.
— E aquele líquido? A substância dos rituais... o que era?
“Não sei.” respondeu com um tom baixo, mais sombrio. “Mas era eficaz. Ocultava minha existência, minhas forças e minha presença. Eu fui apagada... silenciada por anos.”
O grunhido que escapou de sua garganta fez o espelho vibrar. Rielly abaixou o focinho, parecendo envergonhada, e meus dedos formigaram de novo com a energia que nos conectava.
“Naquela caverna, naquele dia... Quando emergi... foi pela sua dor, Airys. Pelo seu grito. Pela sua súplica.”
Senti o ar escapar dos meus pulmões de forma descompassada. Arfei, levando a mão ao peito, pressionando levemente o local como se conseguisse controlar a avalanche que ela provocava dentro de mim.
“Eu precisava te proteger. Alguém precisava estar com você. Não aguentava mais ser acorrentada naquele vazio. Eu precisava emergir, te fortalecer... destruir cada maldito que ousou te ferir.”
O olhar dela se suavizou.
“Mas... nunca quis ferir a mãe.”
Fechei os olhos por um segundo. A lembrança da cena com minha mãe queimou minha mente. Os gritos, o sangue, o olhar dela... não havia ódio. Só dor. E aceitação.
— Você agiu por instinto, Rielly. — sussurrei, a voz falhando no fim. Senti um nó se formar na garganta e o empurrei com um suspiro trêmulo. — Ela sabia disso. Mamãe sabia. Ela... não te odiava por isso.
Meus olhos se encheram de umidade. Respirei fundo, piscando rápido para conter qualquer fraqueza aparente. Arqueei uma sobrancelha e apertei os lábios, puxando o ar de volta com dificuldade.
— Rielly... no teste com a Hamissa... — minha voz saiu rouca, falha — Então... foi você?
“Fomos nós.”
O tom dela carregava um orgulho quase palpável. Rielly ergueu o peito, firme, imponente, e deslizou a língua lentamente sobre as presas afiadas com um brilho satisfeito no olhar.
“Você despertou sua fúria, seu instinto de sobrevivência. Sua vontade de viver me empurrou para a superfície.”
Minha respiração acelerou.

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