POV: DAIMON
“Uma Luna com uma Loba Ancestral da Deusa.” Fenrir estalou a língua com prazer bruto, como se estivesse diante de uma visão que ansiava tocar com as próprias garras. Sua presença subia pela minha consciência como fogo, intensa e pulsante. “Anseio por vê-la completamente em sua forma.”
— Em breve. — Respondi mentalmente, com um rosnado firme que reverberou em meus ossos. — Primeiro, precisamos encontrar os nossos filhos. Eu quero salvá-los. Conhecê-los. Tê-los aqui, comigo, ao meu lado!
O sentimento me tomou por completo, esmagador, urgente, quase doloroso. Uma pressão em meu peito, como se algo estivesse me empurrando para agir agora. Eu precisava encontrá-los, protegê-los, mantê-los vivos e ao meu alcance. Precisava ensiná-los a lutar, a não temer, a suportar qualquer dor. Precisava que eles fossem fortes, justos, impiedosos com os inimigos, protetores com os fracos. Precisava que soubessem o que era amor e honra sob o peso de nossa linhagem.
“Somos pais...”
A voz de Fenrir reverberou mais baixa, mas carregada de algo que nunca esperei ouvir dele: emoção. Um ronronar grave ecoou em minha mente antes que ele saltasse com força, agitado, arranhando minha consciência com suas garras monstruosas. O impacto da energia dele explodiu como uma onda, provocando uma dor de cabeça intensa e instantânea. Eu estremeci, minha respiração falhou por um segundo, e minha visão escureceu por um piscar de olhos. A força do lobo era quase insuportável quando vinha com tamanha intensidade.
“Somos Pai Alfa... Não de um filhote qualquer, mas de três. Três da nossa linhagem, nosso sangue, nossa família!”
Senti o ar escapar pelos meus pulmões em um único suspiro, carregado de tensão e orgulho bruto. Aquilo não era apenas um momento. Era o tipo de revelação que arranca o chão dos pés de qualquer guerreiro.
— Hunf... — Bufei baixo, sentindo o peso dessas palavras se cravarem em mim com força. — Teremos tempo para absorver isso, Fenrir. Não agora.
Mas por dentro, algo em mim queimava. Não era raiva. Era o que vinha depois: o instinto selvagem, implacável, indestrutível de um pai. E essa fera não teria limites.
Ver Fenrir, tão brutal, tão feroz, transbordando um orgulho que mal cabia em sua essência destrutiva... aquilo quase me arrancou um riso. Mas contive. Ainda não era hora.
Não até que meus filhos estivessem aqui. Comigo. Onde nenhum mal pudesse tocá-los novamente.
Minha pequena seguia com as descrições, e me peguei mergulhando na imaginação, me vendo ao lado dela, no momento em que trouxe nossos filhos ao mundo. Senti o desespero que ela viveu, a solidão, o medo que a cercava. Tudo o que não presenciei. Tudo o que ela enfrentou sozinha. E fiz um juramento, um voto silencioso, selado dentro de mim com o peso de uma sentença eterna:
Eu compensaria cada segundo perdido.
Reivindicaria cada momento dos nossos filhotes. Estaria ao lado dela, a cada passo, vivendo a experiência completa de tê-la grávida, protegê-la, acompanhá-la. Porque eu queria tudo. Tudo desta vida. Tudo como pai. Tudo como companheiro. E ninguém me tiraria isso. Ninguém os tiraria de mim.
“De nós.” Brandou Fenrir, estufando o peito e erguendo o focinho para o alto com imponência absoluta. “Nesta vida, para eternidade, viveremos o amor.”

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