POV: DAIMON
Ele ergueu o queixo. A postura mudou. O que antes era só uma criança ferida e com medo, agora era um Alfa. Um pequeno rei diante da fera. Os ombros se alinharam. As pernas firmaram ao chão, batendo o pé com força.
— Meus irmãos fugiram. Estão seguros. — Orion inspirou fundo, o peito subindo e descendo, as narinas dilatadas, seus olhos pequenos com cílios volumosos possuíam as pupilas dilatadas em tons marfim. — Você fez Alec chorar, bateu em Theron e me feriu. Eu sei... você está ferrado. Viu o tamanho do meu pai?
Orion riu, uma gargalhada mesclada a sons de uma criança que se divertia entre outro som feroz.
— Tomara que ele te faça chorar tanto quanto os meus irmãos choraram. — Orion deu um passo à frente com audácia.
“Isto puxou da mãe” Fenrir rugiu em deleite.
— E espero que te faça ficar apavorado como ficamos! — Declarou, rosnando como um pequeno filhote corajoso que era.
Meu coração errou uma batida forte pulsando com intensidade, vibrando em meu peito. O orgulho queimou em minha garganta saindo em forma de um rugido. Um nó se formou. Arfei. Minhas presas rangeram. Meu filho, meu primogênito.
“Nosso príncipe, tem sede e garras, um guerreiro... isso é nosso.” Fenrir rosnou com aprovação, raspando as garras a superfície, completamente deslumbrado por nossa prole.
Raiker rugiu, furioso, instável. As garras se estenderam cravaram no solo, arrancando terra. Seu lobo queria sangue. Mas por trás da fúria... havia algo mais. Um traço de hesitação. De dúvida.
Orion estava imóvel, mas a tensão em seu corpo denunciava a fúria que se acumulava sob a pele, revelando em pequenos tremores. Seu tom era imponente apesar da pouca idade, firme. Sua presença se tornou densa, sombria, carregada de ameaça, quase tão letal quanto a minha. Meus olhos captaram o modo como seus ombros se projetaram para frente, como se já estivesse pronto para a matança. Era meu filho. Era meu sangue. O orgulho latejou dentro de mim, pulsando com violência a cada batida do meu coração.
Sorri.
Então, isto que era orgulho de pai? Era como me sentia... Eu sentia!
Meu sorriso era enorme. Um sorriso sobre as presas, largo, animalesco. Minhas pupilas dilataram com a excitação do que estava prestes a acontecer. Ele não temia mais a fera. Ele queria vingança pelo que fizera aos seus irmãos, deseja os proteger a todo custo como um verdadeiro Lycan deveria fazer.
Para minha surpresa, e deleite, ele se inclinou. Inspirou fundo. Farejou. Sim, o garoto FAREJOU o maldito inimigo. A fera dentro dele acordava. Sentia o cheiro da ameaça, desejava a batalha, a caça e matança.
— Você é mais fraco que meu pai — ele rosnou, a voz tomada por desprezo torcendo o nariz. Seus punhos cerraram com força, as veias saltando sob a pele. As íris ardiam em vermelho, se mesclando ao tom terroso de seu olhar como a essência de um Lycan ancestral. — Não deveria provocar um inimigo mais forte que você… Titio!
“Eu adoro este garoto!” Fenrir vibrou dentro de mim, eufórico, embriagado com o sangue que estava por vir. “Ele está acordando... Despertando, é lindo.”, falou com prazer.
Raiker riu. Um som grotesco, desumano. Os músculos deformaram, se expandindo. Sua estrutura cresceu com a selvageria de um monstro sem rédeas. Seus olhos estavam cobertos de puro ódio, a aura que se espalhou era de loucura e destruição. A fúria dele tomou forma. Ele rugiu e avançou contra Orion como um demônio em êxtase. As garras erguidas, prontas para rasgar a carne do meu filho.
Mas eu fui mais rápido.
Meu corpo se lançou no espaço entre os dois ágil e feroz. A pancada da colisão sacudiu o solo. Cravei as presas fundo no ombro de Raiker com brutalidade, sentindo a carne rasgar sob minhas presas. Ele grunhiu alto, um som grotesco de dor e raiva, e ambos rolamos pelo chão em meio ao impacto violento.
“Ninguém toca no nosso filhote” Fenrir brandou a superfície.
O cheiro de sangue tomou o ar, quente e metálico, estimulando ainda mais minha sede de guerra.

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