POV: AIRYS
— Tanto tempo nos braços de seu companheiro a tornou presunçosa e arrogante, filha. — Falconi rosnou, parado à entrada, o corpo firme, a voz carregada de veneno. — Acha mesmo que ele a ama? Que vai protegê-la até o fim?
Minha resposta foi um rosnado direto, sem hesitação. O som saiu rasgado da garganta. Senti Rielly se erguer em fúria, preenchendo cada parte do meu corpo com puro ódio. As presas se alongaram. As garras cravaram o chão.
"Este desgraçado não mudou nada. Continua sendo um lixo imundo." ela rugiu dentro de mim, a voz quase insuportável de tão carregada de dor e revolta.
Falconi não parou. Ele queria provocar. Ele queria me quebrar.
— O Alfa cairá. O verdadeiro Lycan assumirá seu lugar. — ele disse, arrastando as garras contra o solo com força, fazendo o som ranger entre nós. — Podemos fazer um acordo com ele. Usar sua linhagem. Você pode se tornar companheira do verdadeiro Supremo... e garantir a nossa ascensão ancestral.
Minha mandíbula trincou. O sangue ferveu. A respiração saiu mais pesada.
— Quer me vender de novo, papai? — ri com escárnio, balançando a cabeça. O som foi curto, frio. — Vai me jogar de novo nas garras de um monstro qualquer, esperando que eu aceite ser rasgada e marcada como uma propriedade? Sem se importar se vão me proteger... ou me quebrar?
Os olhos dele se estreitaram, mas não recuou.
— Você é mulher, Airys. — rugiu, com as presas à mostra. — Está aqui para servir. Foi para isso que sua mãe nasceu. É para isso que seu sangue existe.
Foi aí que tudo parou dentro de mim.
O ar ficou denso.
A raiva atravessou meu corpo como fogo.
— Quer que eu me submeta a homens como você e Malik? — cuspi as palavras com nojo, cada sílaba carregada de repulsa. — Não. O meu companheiro me vê além da submissão e da serventia. Ele me reconhece como igual, como sua, mesmo quando pensava que eu era só uma humana frágil.
Os olhos dele se arregalaram.
Chocou-se. Vacilou.
— Ele é um monstro! — Falconi recuou dois passos, o corpo tremendo, a voz falhando por um segundo. — Como pode defendê-lo assim?
— O único monstro que eu vejo aqui... está bem na minha frente. — rosnei, mais alto, mais firme, mais selvagem. — E é você, papai.
O silêncio entre nós ficou mais denso. Eu podia ouvir o som do meu coração batendo como um tambor. A respiração saía pesada. Arfada. Os músculos do meu corpo estavam tensionados até o limite. Eu estava pronta. Ele não.
— Não me surpreende você o defender assim. — ele murmurou, com um sorriso frio, distorcido, preso no rosto. Os olhos cravaram nos meus. — Sabe, filha... fui eu que te encontrei naquela caverna. No dia em que sua mãe morreu.

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