POV: AIRYS
— Vamos acabar com isso. Agora. — rugi, sem hesitação, arrancando as palavras da garganta em um uivo alto, feroz e imponente.
O corpo dele vacilou. A surpresa escancarou suas reações. Avancei com tudo. Não havia mais contenção. Era morte ou morte.
Ele tentou me abocanhar, rápido, brutal. Mas eu fui mais rápida. Desviei com precisão e girei o corpo, cravando as garras direto na lateral do rosto dele. Rasguei com força, descendo até o focinho. O som da carne se abrindo preencheu o ar. O sangue espirrou quente sobre minha pele.
Ele grunhiu alto, cambaleando.
— Sua maldita ingrata! — berrou, recuando, balançando a cabeça, tentando manter o equilíbrio.
Mas não demos tempo para ele reagir.
Avançamos de novo com tudo. Ergui as patas dianteiras, largas e pesadas, e as lancei contra ele com violência. As garras cortaram as laterais do corpo dele, rasgando pele e músculo. O grito abafado que escapou não me fez parar.
Ele revidou rápido, mordendo acima do meu ombro.
Grunhi alto com a dor, sentindo as presas dele afundarem fundo, rasgando a carne quente. A pressão era intensa, latejava, mas não me fez recuar. Pelo contrário.
"Agora!" Rielly rugiu, tomada por pura fúria. "Vamos mostrar o que é dor de verdade!"
Em um impulso, ela projetou nossas garras com mais força. Cravei ambas no abdômen dele, fundo, sentindo a resistência da pele ceder até tocar suas vísceras. Os olhos dele se arregalaram. O corpo congelou. A dor era real, insuportável.
Mas ele apertou a mordida ainda mais forte.
— Você vai pagar por cada segundo de sofrimento que me causou, maldito. — rosnei entre arfadas, o sangue quente escorrendo pela minha pelagem, tingindo o branco com manchas densas e escuras. A dor queimava, mas a vontade de vê-lo cair era maior.
Puxei as garras para fora com força. Espalhei os braços, abri espaço e cravei novamente. Uma, duas, três vezes. Sem piedade. O som dos músculos se rompendo preenchia o ambiente. Os grunhidos dele ficaram roucos, arfados, desesperados.
Sua mandíbula afrouxou. A mordida perdeu força. Ele arfava com dor, cambaleando.
— Não tão poderoso agora, não é? — sibilei, encarando-o de perto, vendo o sangue escorrer pela boca dele.
Empurrei seu corpo com força, o impacto o jogou para trás. Girei o quadril com precisão e usei as patas traseiras para desferir um chute brutal em seu peito.
Ele saiu rolando pelo chão coberto de gelo, arrastando-se, arfando, deixando um rastro de sangue espesso por onde passava. Tentava se levantar. Mas os músculos tremiam. O corpo estremecia. O foco dele estava quebrado. A força... drenada.
— E eu o temia tanto... achava que era forte. Imponente. — minha voz saiu trincada, uma mistura clara entre mim e Rielly. Humana e loba. Raiva e lucidez. — Daimon tinha razão. Você não passa de um verme desprezível tentando se manter de pé em cima da própria sujeira.
— Desgraçada. Maldita! — ele rugiu, se erguendo com esforço, o corpo trêmulo, coberto de sangue. — Eu sou o teu pai! Como ousa me tratar assim?
— Como você ousou fazer tanto mal à minha mãe? A mim? — gritei, o rosnado vindo com força do fundo da garganta. — Você deveria ter nos protegido. Ter nos amado. Ter sido homem o bastante pra ser um pai de verdade.
Senti o gosto do sangue dele ainda preso nas presas. O sabor da vingança pulsava entre os dentes. Meus pelos estavam eriçados, as patas pressionadas contra o chão gelado. A respiração arfava em descompasso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO