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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 204

POV: DAIMON

"Imagina quando o seu lobo emergir e romper todas as fronteiras?" Fenrir exalou entre um rosnado animado e sedento. Ele vibrava. Pulsava. A empolgação dele era tão intensa que os pelos da minha nuca se eriçaram, e uma corrente elétrica percorreu meu corpo inteiro. Um toque sutil, mas poderoso, passou de mim para o pequeno garoto à minha frente.

Orion.

O garoto olhou para minha mão com os olhos arregalados, depois ergueu o rosto e me encarou. A confusão era nítida. Mas havia algo mais ali... reconhecimento.

"Vamos ensiná-lo a lutar, caçar, eliminar inimigos sem hesitar." Fenrir rugiu dentro de mim, firme. "Vamos correr ao lado deles. Nossos filhotes. Nossa alcateia."

Um sorriso discreto escapou pelo canto da boca. Orgulho. Era isso. Aquilo que eu sentia crescer dentro do peito, batida por batida, até se expandir e tomar tudo.

— Você é mesmo um pequeno guerreiro corajoso, Orion. — minha voz saiu grave, imponente, carregada de tudo o que eu era. E ele sentiu.

O rosto dele corou na mesma hora. O tom avermelhado dominou as bochechas, idêntico ao da mãe quando tentava disfarçar algo que sentia.

— Você... sabe o meu nome? — ele perguntou, com surpresa pura e inocente. O olhar se estreitou de leve. Ele não sabia se acreditava.

— Sei de cada detalhe sobre vocês. — respondi, firme. — Theron, Alec e Orion.

Me agachei na altura dele, encarando seus olhos sem desviar, com a força de um Alfa... e a vulnerabilidade real de um pai.

— Meus filhos. Meu sangue. Minha vida.

Me ergui ao seu lado, olhando-o de canto. Seus olhos brilharam, não de fraqueza, mas da luta silenciosa que travava por dentro. As lágrimas estavam presas, mas os lábios tremiam. Um soluço escapou, pequeno e contido. Quando percebi, seus braços finos envolveram meu quadril num abraço apertado, o corpo tremia contra o meu. Ele estava tentando segurar tudo. O medo. A dor. O pavor.

Mas ele era só uma criança.

E mesmo assim, estava ali. Firme. Tentando ser mais forte do que qualquer criança deveria precisar ser.

Senti a faísca do seu lobo acender. Sutil. Profunda. Ele não estava pronto para emergir..., mas sentia a necessidade. Sentia que precisava proteger, mesmo que fosse ele quem precisava de proteção agora.

Afaguei seus cabelos com uma das mãos, a outra envolveu suas costas, puxando-o mais para perto. O calor do corpo dele contrastava com a frieza da situação. Suas lágrimas escorriam silenciosas e molhavam minha pele. Ele não chorava por covardia. Chorava por tentar suportar o insuportável.

E eu estava ali para garantir que ele nunca mais tivesse que fazer isso sozinho.

— Nossa... que cena comovente. — rosnou Raiker, a voz escorrendo sarcasmo e desprezo. — Quase me deu vontade de poupar suas vidas. Quase.

Levantei o rosto e encarei aquele desgraçado com calma. A frieza nos meus olhos era pura ameaça. Um rosnado baixo escapou do meu peito antes que qualquer palavra. Eu não me apressei. Eu quis que ele sentisse. A vibração no ar. A pressão sobre o chão. A iminência da morte.

— Ora, Raiker... mesmo antes de Fenrir, eu sempre o derrotei. — incline a cabeça levemente, com um sorriso impiedoso nos lábios. — Por que acha que agora seria diferente?

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