POV: DAIMON
Ele deu um passo na direção da saída, ainda hesitando. Olhou de volta para mim.
E correu.
Antes de cruzar o limite da porta, se virou e me abraçou de novo, com mais força. Os braços pequenos me envolveram com urgência, como se esse fosse o último contato possível.
— Não nos deixe de novo. — ele sussurrou, com a voz baixa e o rosto colado ao meu abdômen. A respiração dele estava trêmula. Eu senti. Seu cheiro mudava, as nuances de medo misturadas ao aroma natural dele. — Era mentira antes... sempre precisamos de você!
Aquelas palavras rasgaram algo dentro do meu peito.
Rápido. Seco. Profundo.
Até mesmo Fenrir grunhiu, desconfortável.
"Ele fala com a alma." murmurou, mais calmo do que o normal. "Proteja o que é seu, Alfa."
Orion se soltou de mim com relutância e disparou em direção à saída, os passos rápidos ecoando pelo ambiente. Mas não tive tempo nem de acompanhar a corrida.
Raiker se moveu.
Como o rato sujo e traiçoeiro que sempre foi, aproveitou a brecha. Saltou para atacar Orion por trás, as patas erguidas, as garras afiadas prontas para atingir.
Meu corpo reagiu antes do pensamento.
Avancei mesmo na forma humana, com a fúria escorrendo pelos ossos. Agarrando as duas patas dele com força, interrompi o golpe no ar. A tensão do impacto estremeceu meus braços, mas o mantive suspenso, preso, impotente.
Orion se assustou, parando abruptamente, e olhou para cima. Nossos olhares se cruzaram por um breve instante. A raiva que me dominava não era só instinto. Era justiça.
— Saia daqui. Agora! — gritei sobre o ombro, sem tirar os olhos de Raiker. Ouvi os passos de Orion se afastando em disparada, como ordenado.
Virei o rosto lentamente para a criatura presa em minhas mãos.
O sorriso que surgiu nos meus lábios foi frio. Lento. Mortal.
— Raiker... — disse, apertando ainda mais suas patas, o som dos ossos começando a ranger. — Eu vou quebrar seus membros. Um por um. Você nunca mais vai amedrontar meus filhos. Nem olhar para eles. Nem sussurrar os nomes deles. Nunca mais.
"Vamos despedaçá-lo." Fenrir falou, com a voz baixa, sombria, e deliciosamente cruel. "Ele mexeu com a família errada."
— Nossa... o pai do ano. — ele cuspiu com desprezo, o olhar cheio de veneno. — Até nisso quer ser melhor que o nosso velho? Você me dá nojo.
— Raiker, você sobreviveu ao Fenrir. — rosnei, avançando, empurrando-o com força e saltando para trás no mesmo segundo em que ele tentou me atingir. Suas garras rasparam meu braço, cortando a pele, mas não profundamente. Ardência imediata. Nada que eu não pudesse suportar. — Você podia ter seguido com a porra da sua vida. Podia ter construído uma família, conquistado uma alcateia ou criado uma. Mas não. Sua inveja é a corrente que te arrasta para o buraco.
O rosto dele se deformou em ódio. A saliva escorreu das presas expostas.
— Inveja?! — rugiu, avançando com fúria, os olhos em brasa. Desferiu patadas violentas, seguidas de uma tentativa de mordida. Desviei de cada uma com foco, sentindo o ar sendo cortado ao meu redor.

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