POV: DAIMON
Sem dar espaço, arrastei o seu rosto contra o solo branco até alcançar o tronco de uma árvore grossa. E ali, soquei com força a cabeça dele contra a madeira. O impacto foi tão violento que o tronco estremeceu, a neve do topo despencando sobre nós.
Ele rosnou e reagiu, agarrando meu punho. Me puxou com brutalidade para frente e acertou uma joelhada certeira no meu abdômen, bem no ferimento aberto.
O ar me escapou pela garganta em um estalo surdo.
Sem hesitar, Raiker arrancou um pedaço do próprio tronco atrás dele, grosso, pesado e desferiu o golpe direto na lateral da minha cabeça.
O impacto me fez girar no ar.
Caí de lado sobre a neve, cuspindo sangue quente que manchou o branco ao redor.
Deveria estar puto. Desesperado.
Mas gargalhei.
Não de loucura.
De deleite.
O corpo inteiro estremecia em ondas. Fenrir vibrava em fúria e prazer. A energia dele se espalhava sob minha pele como eletricidade em ebulição.
"É isso..." Fenrir rosnou dentro de mim, com a voz grave, sombria, envolvente. "Me deixe sair por completo. Me deixe acabar com ele do jeito certo."
— Fazia tempo que eu não tinha uma luta que realmente valesse a pena, irmão. — rosnei, limpando o sangue do canto da boca com o dorso da mão. Me levantei devagar, como se o corpo estivesse calibrando a brutalidade que ainda estava por vir.
Estalei o pescoço, girando a cabeça para os lados, sentindo cada vértebra ajustar com precisão. O sorriso ousado surgiu em meus lábios.
— Vou até sentir falta disso... depois que te matar.
— Vou te poupar da saudade, maninho. — Raiker rosnou, arqueando os ombros enquanto avançava com fúria. — Quem vai morrer primeiro é você!
Nossos corpos se chocaram com força mais uma vez.
Ele em sua forma Lycan completa, maior, mais veloz, mais letal. Eu, ainda limitado, mesclando minha forma humana com a lupina, impedido de emergir por completo por causa dos meus filhos. Mas não mais fraco por isso.
O som ao nosso redor era puro caos.
Garras colidindo como lâminas afiadas. Carne sendo rasgada em estalos úmidos. O sangue gotejava sem parar, escorrendo até se misturar à neve e transformá-la em lama vermelha. O cheiro metálico se espalhava, pesado, entranhando no ar.
Raiker urrava enquanto seus companheiros, vermes oportunistas, se acumulavam ao meu redor. Sentia suas garras tentando alcançar minhas pernas, rasgar minhas costas, enquanto eu mantinha as duas mãos firmes segurando a mandíbula colossal de Raiker, que tentava cravar os dentes no meu pescoço.
A tensão nos músculos dos meus braços era absurda. A mandíbula dele se movia centímetro por centímetro, tentando me dominar pela força bruta. Eu não cedia.
Foi então que ela surgiu.
Um vulto branco. Rápido. Quase invisível aos olhos.
Mas meu corpo inteiro soube.
O cheiro doce e único preencheu o campo de batalha como um sopro quente. Meu coração reagiu primeiro. Depois os pelos, da nuca. Depois os ossos inteiros.
Airys.
Antes mesmo de vê-la por completo, já estava arrepiado.
Ela saltou com precisão brutal, em sua forma Lupina, contra dois lobos que vinham por trás de mim. As presas dela se cravaram no primeiro. As garras, no segundo. Um grito agudo rasgou o ar quando os corpos caíram sem chance de reação.
— Ninguém machuca o meu homem! — ela bradou, a voz ecoando em perfeita fusão entre a fera e a mulher.

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