POV: DAIMON
O rugido que explodiu da minha garganta fez o chão vibrar. As rochas ao redor tremeram. O sangue ainda fresco gotejava do meu corpo, da mandíbula, das mãos, e nada mais importava além da criatura que havia tocado minha fêmea.
Eu não pensava. Eu avançava.
Cada passo era destruição. Qualquer um que se colocava no caminho era reduzido a carne e osso espalhados pela neve.
E então o agarrei.
Raiker.
Grudei seu pescoço com as garras, suspendendo-o do chão mesmo com a pouca diferença de tamanho. Os músculos do meu braço saltavam com a força da pressão. A pele dele rangia entre meus dedos.
— Você a tocou! — brandei, a voz mesclada, a dualidade entre mim e Fenrir formando um tom gutural, animalesco. — Isso é imperdoável.
A visão já não era mais clara. Só havia vermelho. Vermelho em tudo.
Comecei a lançá-lo de um lado para o outro.
Contra a pedra. Contra a árvore.
Seu corpo quebrava a cada impacto. As garras rasgavam a carne dele sem piedade. O cheiro de sangue, os gemidos arfados, os ossos cedendo. Eu sentia a estrutura dele se desfazer nas minhas mãos.
Ele arfava alto, o corpo mole. A força dele estava caindo. O cheiro Lycan recuava, talvez o sangue roubado dos meus filhos tivesse finalmente perdido o efeito.
Estava terminando.
Quando uma voz estranha ecoou atrás de mim:
— Solte o nosso Alfa... ou seus filhos morrem!
O mundo parou.
Fenrir congelou.
O domínio recuou, não por escolha..., mas por instinto.
Racionalidade forçada.
O corpo ainda pulsava de adrenalina. Mas a ameaça era clara.
Meus filhos.
"Alec... Orion... Theron..." Fenrir rosnou, regredindo o suficiente para que eu voltasse a pensar. A visão turva começou a clarear. O instinto de pai sufocou a fera.
Virei o rosto para trás, com o peito arfando e os olhos em chamas.
Airys estava no chão. Inconsciente.
O corpo dela jazia imóvel na neve, a pele manchada pelo sangue escorrendo da lateral da cabeça. Uma mulher, desconhecida, cruel, estava em pé ao lado, segurando uma estaca de madeira com a ponta vermelha. Ela tinha a derrubado pelas costas.
Ao lado dela, um homem mantinha Orion preso num mata-leão apertado. A garra cravada rente ao rosto do meu filho, pressionando bem próximo ao olho esquerdo. Orion se debatia, mas o corpo pequeno era facilmente dominado.
— Mamãe! — ele gritou, a voz aguda assustado. — Por que estão fazendo isso, tia Jack?!
— Sinto muito, garoto. — a mulher respondeu, hesitante. Os olhos dela brilharam com culpa ou covardia. — Precisamos do Alfa vivo... ou nossa irmã morre.
Minha respiração parou por um segundo.
— Ouviu, Supremo? — ela continuou. — Solte Raiker!
— Eu vou matar vocês. — rugi, sombrio, cada sílaba pingando ódio. Dei um passo à frente.
— Mais um passo... — o homem rosnou, puxando Orion com mais força. A garra cortou a pele sob o olho dele. O sangue escorreu. — E eu não vou ter piedade.
— PAI! — Orion gritou em desespero, tremendo, com a respiração ofegante. O cheiro do medo dele me atingiu com força no nariz.
E então o grito interno explodiu.

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