POV: DAIMON
O lábio inferior dele tremia. Mordeu com força, tentando conter a emoção, mas os olhos estavam tomados pelas lágrimas.
Me aproximei e coloquei uma das mãos em seu ombro.
— Orion... olha para mim. — ordenei com firmeza, sem elevar a voz.
Ele hesitou.
Respirou fundo, e enfim me encarou. Os olhos marejados encontraram os meus.
— Você é uma criança. E está tudo bem chorar. — falei baixo, firme. — Mas agora... preciso que me ajude a levar sua mãe e seus irmãos em segurança para a minha alcateia.
Ele fechou os olhos por um instante, inspirando com força.
Assentiu com a cabeça, respirando fundo mais uma, duas vezes.
Se aproximou de Airys e se agachou.
Abaixou o rosto e inspirou o cheiro da mãe como eu fazia quando precisava acalmar Fenrir. Um gesto instintivo. Natural.
Seus batimentos cardíacos, que podia ouvir claramente, começaram a desacelerar. As emoções começaram a se alinhar dentro dele. O instinto tomava o lugar do pânico.
Orion se levantou.
Girou levemente o corpo, e assobiou de maneira baixa, firme, em um ritmo diferente.
Minutos depois, ouvi.
Passos.
Dois.
A energia de Theron veio primeiro: desorganizada, elétrica, rápida.
Alec logo atrás: hesitante, leve, mas presente.
Eles surgiram correndo pela neve, ofegantes.
Theron chegou com as mãos fechadas em punhos, o rosto fechado e o olhar cravado no corpo da mãe.
Alec se aproximou com mais cuidado, os olhos arregalados de medo.
— Pequena... — chamei, me ajoelhando ao lado de Airys. Toquei seu rosto com delicadeza, os dedos percorrendo sua pele fria. — Airys... acorda minha humana Lupina.
Girei o rosto dela com cuidado. O corte na lateral da cabeça era profundo.
E o cheiro... ardeu nas minhas narinas.
Prata.
— Malditos... bateram nela com madeira e pregos de prata. — rosnei por entre os dentes.
Me aproximei mais e encostei os lábios em sua testa.
— Você vai ficar bem... — sussurrei. — Eu vou cuidar de você. De vocês. Meu amor.
Agarrei seu corpo com cuidado, a puxando para meus braços.
Ela estava mole, fraca, mas viva.
E isso bastava.
— Mamãe? — Alec chamou com a voz trêmula, ajoelhado ao lado dela. Os olhos vermelhos de tanto chorar, a mãozinha agarrada à dela, fria e mole. — Ela morreu...?
— Claro que não, Alec. — Orion respondeu, bufando impaciente. — Está desmaiada. — Mas o rosnado que soltou depois denunciava o nervosismo que ele tentava esconder.
— Você vai salvar ela... não vai? — perguntou Theron, me encarando com o maxilar travado. O tom era duro. Hostil. — Eles machucaram a gente... por sua causa!
As palavras dele me atingiram como uma lâmina fina. Precisa. Sem dó.

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