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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 210

POV: DAIMON

O lábio inferior dele tremia. Mordeu com força, tentando conter a emoção, mas os olhos estavam tomados pelas lágrimas.

Me aproximei e coloquei uma das mãos em seu ombro.

— Orion... olha para mim. — ordenei com firmeza, sem elevar a voz.

Ele hesitou.

Respirou fundo, e enfim me encarou. Os olhos marejados encontraram os meus.

— Você é uma criança. E está tudo bem chorar. — falei baixo, firme. — Mas agora... preciso que me ajude a levar sua mãe e seus irmãos em segurança para a minha alcateia.

Ele fechou os olhos por um instante, inspirando com força.

Assentiu com a cabeça, respirando fundo mais uma, duas vezes.

Se aproximou de Airys e se agachou.

Abaixou o rosto e inspirou o cheiro da mãe como eu fazia quando precisava acalmar Fenrir. Um gesto instintivo. Natural.

Seus batimentos cardíacos, que podia ouvir claramente, começaram a desacelerar. As emoções começaram a se alinhar dentro dele. O instinto tomava o lugar do pânico.

Orion se levantou.

Girou levemente o corpo, e assobiou de maneira baixa, firme, em um ritmo diferente.

Minutos depois, ouvi.

Passos.

Dois.

A energia de Theron veio primeiro: desorganizada, elétrica, rápida.

Alec logo atrás: hesitante, leve, mas presente.

Eles surgiram correndo pela neve, ofegantes.

Theron chegou com as mãos fechadas em punhos, o rosto fechado e o olhar cravado no corpo da mãe.

Alec se aproximou com mais cuidado, os olhos arregalados de medo.

— Pequena... — chamei, me ajoelhando ao lado de Airys. Toquei seu rosto com delicadeza, os dedos percorrendo sua pele fria. — Airys... acorda minha humana Lupina.

Girei o rosto dela com cuidado. O corte na lateral da cabeça era profundo.

E o cheiro... ardeu nas minhas narinas.

Prata.

— Malditos... bateram nela com madeira e pregos de prata. — rosnei por entre os dentes.

Me aproximei mais e encostei os lábios em sua testa.

— Você vai ficar bem... — sussurrei. — Eu vou cuidar de você. De vocês. Meu amor.

Agarrei seu corpo com cuidado, a puxando para meus braços.

Ela estava mole, fraca, mas viva.

E isso bastava.

— Mamãe? — Alec chamou com a voz trêmula, ajoelhado ao lado dela. Os olhos vermelhos de tanto chorar, a mãozinha agarrada à dela, fria e mole. — Ela morreu...?

— Claro que não, Alec. — Orion respondeu, bufando impaciente. — Está desmaiada. — Mas o rosnado que soltou depois denunciava o nervosismo que ele tentava esconder.

— Você vai salvar ela... não vai? — perguntou Theron, me encarando com o maxilar travado. O tom era duro. Hostil. — Eles machucaram a gente... por sua causa!

As palavras dele me atingiram como uma lâmina fina. Precisa. Sem dó.

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