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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 211

POV: DAIMON

Me agachei e me deitei Airys com cuidado no chão coberto de folhas úmidas. Seu corpo estava frágil, frio. Os olhos dos trigêmeos se arregalaram. Theron franziu o cenho de imediato, a expressão fechada.

Sem dizer mais nada, mutei.

O estalo da transformação foi seco, brutal. Senti as feridas se abrirem novamente, o sangue escorrer quente pelas laterais do meu dorso. As patas se firmaram no solo. O corpo se esticou, mais pesado, mais resistente, mesmo com a dor.

Rangia as presas, mas mantive a postura firme.

Não podia cair.

Não agora.

— Puxem sua mãe para minhas costas. Montem também. Vamos nos mover rápido. — ordenei, a voz saindo em uma mistura de sons guturais e autoridade absoluta.

Eles hesitaram.

— Nossa... você consegue levar todos nós? — Alec perguntou baixinho, o olhar fixo no meu corpo colossal em forma de lobo.

— Claro que consegue. — Orion respondeu antes que eu dissesse qualquer coisa. — O papai é enorme.

O tom dele era firme, confiante e admirável.

Theron permaneceu em silêncio.

Mas observava.

Eles se moveram com cuidado, coordenando os próprios passos como se já tivessem feito aquilo juntos antes. Ajudaram a colocar Airys sobre minhas costas, com uma delicadeza que eu não esperava de crianças tão pequenas, tão marcadas, mas ainda tão protetoras entre si.

Notei como Alec era o centro das atenções silenciosas dos dois. Orion guiava, Theron vigiava. O mais novo tinha um cheiro sutilmente diferente... mais doce, mais suave, com uma energia distinta. Mas guardei aquilo. Não agora. Não ainda.

Orion puxou Alec com firmeza, ajudando-o a subir logo atrás de Airys. Posicionou o irmão perto do corpo da mãe, como se instintivamente soubesse que ele precisava daquele contato para se sentir seguro.

Alec se agarrou ao ombro de Airys e arfou baixo, sentindo o cheiro dela, se encolhendo como se o toque da mãe fosse o único lugar seguro do mundo.

Orion subiu por último, escalando com força e posicionando-se logo atrás. Quando estendeu a mão para Theron, o irmão hesitou.

Ficou parado.

Me encarou direto, desafiando com o olhar. Não de arrogância, mas de medo e orgulho ferido.

Permaneci agachado, firme, com os olhos fixos nele. O focinho voltado diretamente em sua direção, respirando calmo, mas com autoridade visível.

— Theron. — murmurei, com a voz rouca e firme escapando por entre as presas. — Não vou te morder. Nem machucar nenhum de vocês.

Fiz uma pausa.

— Pode me odiar depois, se quiser. — acrescentei com frieza contida. — Mas agora... preciso tirá-los daqui. Sua mãe precisa de tratamento. Vocês precisam viver.

Ele engoliu em seco.

E assentiu.

Subiu em silêncio, sem dizer uma palavra, mas com o olhar ainda fixo no meu.

Me mantive imóvel até sentir o peso dos quatro estabilizar.

— Segurem firme. — avisei em tom baixo. — Vou correr.

Me ergui com força.

As patas cederam por um instante sob o peso somado deles e o próprio cansaço cravado nas minhas carnes. As feridas abertas na transformação latejavam. Queimavam. Mas ignorei.

Dei um tranco, firme, e no mesmo instante ouvi as arfadas das crianças, os braços apertando com força ao redor de Airys e entre si.

Um gritinho escapou da garganta de Alec, surpreso e encantado.

— Uau! — ele disse baixinho, animado, e aquilo rasgou o gelo do momento com uma chama estranha de vida no peito.

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