POV: AIRYS
Passos correndo. Risadas. Vozes leves.
O som mais doce e poderoso do mundo.
Meus filhos.
Eles estavam rindo.
O som preencheu cada espaço do meu peito com calor. Era leve, inocente, puro. Como se o mundo tivesse parado por um instante para me devolver tudo aquilo que um dia me arrancaram.
Abri os olhos lentamente, sentindo uma lágrima escapar. Olhei para Daimon e sorri, mesmo com o corpo dolorido, mesmo com o cansaço consumindo cada pedaço de mim.
Estendi os braços, envolvi seu pescoço com força e o puxei para perto. Nossos rostos se tocaram, a respiração dele colidindo com a minha.
Quase colei nossos lábios, mas deixei o momento pairar no ar. Quente. Denso. Elétrico.
— Você os salvou... — murmurei, engolindo a emoção, as lágrimas já preenchendo minha voz. — Você salvou... nossa família.
Ele tombou levemente a cabeça, os olhos cravados em mim.
Examinou cada traço do meu rosto com atenção minuciosa, lenta, como se estivesse memorizando. Seus dedos subiram com calma, tocando meus cabelos desalinhados.
Deslizou uma mecha atrás da minha orelha, com um cuidado que contrastava com a brutalidade que ele carregava no corpo. E então se inclinou mais, tão próximo que senti sua respiração roçar minha pele, quente, firme, provocante.
Os lábios dele tocaram os meus de leve, num contato quase sutil… quase.
— Nós os salvamos. — murmurou com a voz grave, arrastada, baixa e carregada de tudo. A vibração daquelas palavras percorreu minha espinha, aquecendo cada parte adormecida do meu corpo.
Não houve pausa.
Sua boca colidiu com a minha em um beijo voraz, exigente, possessivo. Um beijo que carregava promessa, domínio, reencontro e território. Um beijo que apenas Daimon saberia dar. E exigir. E reivindicar.
Senti o gosto dele me preencher. A firmeza de sua boca dominando a minha sem-cerimônia.
Seus dedos seguraram minha nuca com força. Suas presas roçaram meu lábio inferior e, sem conseguir conter, gemi, um som baixo, ofegante, entregue.
Ele rosnou em resposta, um som denso que vibrou em seu peito e explodiu dentro de mim. Meu corpo reagiu inteiro.
Arfei, as mãos subindo instintivamente até os cabelos dele. Meus dedos se entrelaçaram nas raízes escuras, puxando com leveza, provocando. Meu corpo virou mais em sua direção, como se quisesse grudar nele, como se já não houvesse espaço suficiente entre nós.
Minhas mãos desceram devagar. Toquei o ombro nu, firme. A pele quente, viva, pulsando. Deslizei a palma até o pescoço, onde a mordida do combate ainda deixava a marca.
O beijo cessou quando eu precisei respirar.
Ofegante, observei a cicatriz ainda rosada, recém-fechada. A pele ao redor levemente quente. Meus dedos passaram com cuidado pela elevação da ferida.
Me inclinei.
Beijei o local com reverência.
Não por fraqueza.
Mas por respeito.
Pelo homem bruto que enfrentou o caos, sangrou e lutou… por mim.
Pelos nossos filhos.

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