POV: AIRYS
"Detalhe", uma ova.
Senti o calor subir, uma raiva misturada com alívio tão intensa que não consegui segurar. Avancei e dei um tapa forte no ombro dele, com gosto.
Ele arregalou os olhos, surpreso.
— Aí! Airys! Você tá com a mão pesada, hein!
— Eu achei que você tinha morrido, Jasper! — gritei, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto o empurrava pelo peito. — Por que não fugiu comigo? Por que, seu lobo idiota?! Você é como um irmão para mim, e eu achei que...
A voz falhou. O peso daquela noite, a culpa por ele ter ficado para trás para me proteger, o grito de sua dor, o medo de ter perdido um amigo, o luto antecipado. Estava tudo preso aqui, no meio do meu peito.
Jasper passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, visivelmente tocado mesmo tentando bancar o engraçadinho.
— Ei... Em primeiro lugar, isso doeu. — Resmungou com um meio sorriso cansado. — Em segundo lugar, eu tô vivo, Airys. Inteiro... tá, quase inteiro. Só uma lasquinha da orelha a menos. E vou te contar: isso até virou charme entre as lobas.
— Você continua sendo um idiota. — rosnei, com a voz embargada, rindo entre o choro. Enlacei os braços ao redor dele e o abracei com força. Ele arfou com o impacto, mas retribuiu, apertando-me com carinho, mesmo sendo um cretino. — Obrigada por me proteger.
— Que tipo de irmão postiço eu seria se não o fizesse? — Jasper riu, apertando o abraço contra meu corpo. — E sabe que eu tenho mais medo do Supremo do que da morte, né?
Eu gargalhei. Gargalhei de verdade, com o tipo de riso que faz o peito doer de alívio. Era surreal ter ele ali, de pé, inteiro ou quase. Com um pedaço da orelha faltando, novos cortes nas têmporas, marcas de batalha pelo pescoço, e ainda assim... Jasper. O mesmo idiota sarcástico, teimoso e impossível de ignorar. O melhor amigo que eu não escolhi, mas que a vida me empurrou, e que eu jamais abriria mão.
Ele soltou o abraço aos poucos, passou as mãos pelos cabelos desgrenhados e soltou um suspiro. Então, semicerrando os olhos, olhou por cima do meu ombro, observando os três em silêncio, até que voltou o olhar para mim com a sobrancelha arqueada, um sorrisinho sacana crescendo no canto da boca.
— Sinceramente? Acho que vou precisar de duas tequilas para processar essa história. — Ele comentou com ar fingidamente sério. — Eu sempre soube que você e o Supremo se queriam. Mas três de uma vez, Airys? Como diabos aquela montanha ainda está de pé?
— Jasper! — exclamei, com a voz aguda e o rosto pegando fogo. Senti meu corpo inteiro enrijecer e, se eu pudesse socar aquele sorriso da cara dele sem traumatizar as crianças, eu teria feito.
— A mamãe está parecendo um pimentão... — Alec comentou, chegando perto, com os olhos doces e a expressão confusa. Ele encostou a mãozinha na minha testa com tanta delicadeza que me fez suspirar. — Olha, papai, acho que ela está com febre.
— A temperatura dela tá alta mesmo, mas não é por febre, não. — Jasper comentou com um sorriso provocador no canto da boca. — Não é supremo....
Antes que ele terminasse a frase, enfiei o dedo nas costelas dele com força. Ele gemeu alto, encolhendo o corpo com um pulo.
— Ai, caramba! Era brincadeira, sua bruta!
— São crianças, idiota! — rosnei, entre dentes, arqueando a sobrancelha. Olhei para os pequenos que estavam agarrados às minhas pernas como gatinhos desconfiados, seus olhinhos curiosos fixos nele. Suspirei, passando a mão nos cabelos de Alec e Theron ao mesmo tempo. — Meus amores, este é o Jasper. Jasper, esses são os meus filhotes: Orion, Theron e Alec.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO