POV: AIRYS
— Sim! — Daimon e Fenrir responderam ao mesmo tempo, em uma única voz rouca, gutural, animalesca.
A vibração que emanou do corpo dele foi tão intensa que o ar pareceu pesar. A pressão ao redor aumentou de forma sufocante, como se o ambiente reagisse à presença da fera. Estremeci, sentindo o corpo todo arrepiar ao mesmo tempo que Rielly grunhiu dentro de mim, em um alerta nítido, feroz.
A áurea de Daimon cresceu como uma onda prestes a engolir tudo ao redor. A pele dele parecia incandescente sob meus dedos. Sua respiração acelerou, pesada, o peito subia e descia com força, os olhos faiscando em vermelho, vibrantes, perigosos.
— Minha racionalidade está sendo arrancada aos poucos... — Sua voz grave soou mais escura, mais animalesca. — Não posso mais voltar à forma Lycan sem correr o risco de perder o controle... de agir como uma besta selvagem.
Engoli seco. O coração disparou no peito. Meus olhos se encheram de lágrimas, não de medo, mas de dor por ele. Por tudo que ele estava perdendo... por tudo que teve que suportar.
— Foi amaldiçoado. — Minha voz saiu fraca, mas firme. Levei minha mão até o peito dele, sentindo o calor, a força, o coração acelerado. Subi devagar, os dedos explorando a pele firme, contornando o pescoço até alcançar a base da nuca. Meus dedos se embrenharam nos fios escuros e grossos, acariciando com carinho e reverência.
Ele se manteve imóvel, respirando fundo, os músculos rígidos sob o meu toque. Os olhos, mesmo ardendo, mantinham-se fixos nos meus. Como se esperasse algo. Como se precisasse da minha aceitação para não despencar no abismo.
— Foi por isso que aceitou o pacto com a Deusa, não foi? — continuei, em um sussurro. — Ela o obrigou a aceitar em troca da promessa de libertação. Para livrar você da maldição... e em troca, ela quer Alec.
Meu corpo estremeceu ao dizer o nome da minha filha. A simples ideia de entregá-la... era insuportável.
— Você é astuta, Airys. — Daimon murmurou, a voz baixa, densa, vibrando em minha pele como trovão abafado.
Ele colou nossas testas, olhos nos olhos, tão perto que eu podia sentir cada respiração dele, quente, densa, carregada de desejo e de uma tensão emocional que parecia prestes a explodir.
— Não se preocupe, pequena. — Sua mão subiu até minha cintura, firme, possessiva, como se quisesse me ancorar nele. — Sou capaz de suportar o inferno inteiro se for necessário para manter vocês seguros!
Minha garganta se apertou. Arfei quando ele me puxou ainda mais para si, a mão deslizando pelas minhas costas, me colando ao seu corpo quente e tenso.
— E nossa filha... — Ele continuou, agora mais baixo, quase em um sussurro bruto em meu ouvido. — Ela não será moeda de troca. Nunca. Tem a minha palavra de Alfa... e a minha palavra como seu companheiro.

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