POV: AIRYS
Arregalei os olhos, surpresa, engolindo seco. E, droga, meu corpo inteiro reagiu, traidor, com aquele calor subindo pelas veias, acendendo cada centímetro de pele. Mesmo tentando segurar, um sorriso de canto escapou... discreto, tímido, mas presente.
Só fui devolvida ao chão quando ele me levou até a porta do quarto. Me encarou, daquele jeito que fazia meu coração disparar e as pernas ameaçarem fraquejar, arqueando uma sobrancelha com diversão.
— Descansaremos hoje... — anunciou, roçando a ponta do nariz no meu, me obrigando a arquear o pescoço, e deslizando o braço contra meu corpo de propósito, numa carícia lenta, quente, arrastada, que me fez estremecer da cabeça aos pés. — Amanhã, ao amanhecer, retornamos à alcateia.
Seu dedo longo e firme cutucou a ponta do meu nariz, num gesto que deveria ser fofo..., mas vindo dele, até isso parecia carregado de um perigo delicioso.
— E, pequena... — seus olhos cintilaram em vermelho, a voz mais rouca, baixa, praticamente um arranhão contra minha pele sensível — controla esse cheiro maravilhoso...
— Droga... — soltei, mordendo o lábio inferior, sem conseguir disfarçar a tensão que me atravessava. Meu corpo inteiro estava aceso, reagindo à presença dele... E, claro, isso só arrancou aquele riso rouco, pecaminoso, que reverberou no peito dele e fez minha pele arrepiar dos pés à cabeça.
— Daimon... — inspirei fundo, apertando seus braços duros como rocha. — Tem certeza disso? Sobre voltarmos... com as crianças? — Minha voz saiu mais baixa, quase trêmula, não só pelo medo, mas pelo jeito como ele me olhava... daquele jeito que fazia meu corpo esquecer qualquer preocupação. — Digo... é muita exposição... é perigoso...
Ele arqueou uma sobrancelha, e aquele olhar predatório, carregado de domínio e malícia, me prendeu.
— Eles estarão mais seguros... — Sua voz desceu grave, arrastada, vibrando contra minha pele como um toque físico, bruto, possessivo. — Ao meu lado. — Seus olhos terrosos cintilaram, ganhando aquele tom vívido, quase animalesco, que sempre denunciava o lobo faminto e territorial nele. — Nem mesmo as Irmãs Celestiais seriam capazes de protegê-los de Raiker como eu protejo.
Roçou a ponta do dedo no meu queixo, obrigando-me a levantar o rosto, mantendo o contato, me prendendo completamente sob aquele olhar feroz.
— Eu os quero... — Seu tom carregava um peso absoluto, impositivo, selvagem, inquestionável. — Na minha vida, Airys. Na nossa casa. Com a nossa alcateia. — Seus olhos se estreitaram, e um sorriso torto, cruel e perigosamente sedutor curvou seus lábios. — Ninguém vai tirar isso de mim. Nem homem. Nem deuses. Nem malditos inimigos. Quem tentar... — aproximou ainda mais, roçando a boca na minha — ...eu destroço.
Meu coração disparou, meu corpo inteiro vibrou, e eu sabia... Que estava completamente perdida nele.
— Eu sei... — Sussurrei, deixando os dedos deslizarem pela linha de seu maxilar forte, até segurar seu rosto. Inclinei e beijei a ponta de seu dedo, lenta, provocante, mordendo de leve, só para vê-lo semicerrar os olhos e ranger os dentes, lutando contra o próprio controle.
A mão dele deslizou, firme, poderosa, da minha mandíbula até minha nuca, afundando os dedos nos meus fios, apertando, puxando com aquela mistura perfeita de carinho bruto e possessividade descarada, me obrigando a arquear o pescoço.

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