POV: RAIKER
Jaqueline correu até ele, mesmo com a testa ainda sangrando. O sangue escorria pela lateral do rosto, pingando em sua blusa, mas ela ignorou a própria dor para segurar o irmão nos braços. Seus dedos tremiam ao tocá-lo, os olhos marejados enquanto ela sussurrava seu nome em desespero. Os ombros dela estremeciam, o peito arfava em agonia e angústia.
— Vocês são patéticos. Fracos. — Bufei, sentindo o desprezo crescer dentro de mim enquanto os observava de cima. Meus olhos se estreitaram com desgosto. — Vergonhosos.
Me virei em direção ao guarda na porta, os olhos vermelhos e pulsantes, as garras se projetando dos dedos. — Tragam a minha prisioneira!
— Por favor... — Jaqueline ergueu o rosto, os olhos desesperados se fixando nos meus. Lágrimas escorriam sem controle. A voz dela saiu engasgada, gaguejante, carregada de medo. — Deixa-a fora disto… Estamos fazendo tudo o que você ordena… tudo!
— Estão? — A voz saiu mais grave, rouca e ameaçadora. Um rugido baixo escapou da garganta, ressoando na sala como um trovão abafado.
“Eles mentem. Eles falham. Eles traem.” a fera sussurrou dentro de mim, faminta.
Ergui uma das mãos, as garras estendidas, afiadas, gotejando sangue seco. Avancei. Cada passo meu fazia o chão tremer. Collen gemeu no chão, tentando se arrastar para frente, mas as pernas não o obedeciam. Estava tremendo, as mãos abertas tentando afastar a dor que o impedia de respirar direito.
Parei diante de Jaqueline, sua respiração era rasa, falhada, um som baixa e desesperada. O suor escorria de sua testa, misturando-se ao sangue na lateral do rosto. Arqueei uma sobrancelha e ergui seu queixo com a ponta da minha garra, o toque firme e gelado fez seu corpo estremecer. O contato fez seu pescoço se esticar, vulnerável.
— Então por que os pirralhos não estão sob o meu domínio? — Sibilei, o olhar cravado nela. A voz era baixa, firme. Letal. — Onde está a minha futura Luna?
Suas pupilas dilataram, o medo rasgando qualquer resquício de desafio. Ela tentou responder, mas apenas arfou, engolindo seco.
Me aproximei ainda mais, o rosto a centímetros do seu.
— E por que Daimon ainda não caiu?
— N-não tínhamos como prever... — Jaqueline gaguejou, a voz presa no próprio pavor. Seus olhos estavam arregalados, a pele pálida, e todo o seu corpo tremia de forma visível. — Nã... Não tinha como sabermos o que iria acontecer...
Ela tentou respirar fundo, mas o ar parecia não chegar aos pulmões. O peito subia e descia com dificuldade, o suor escorria pelas têmporas, misturado ao sangue seco em sua testa. Suas mãos estavam espalmadas à frente do corpo, os dedos rígidos de tanto tremer.
— Shiiu, bruxinha. — Murmurei com sarcasmo, aproximando o rosto do dela, sentindo sua respiração quente e desesperada se chocar contra minha pele. — Não suporto ouvir lamentos patéticos.
Inclinei a cabeça levemente para o lado e deslizei a garra pela lateral de seu rosto, riscando a pele em um corte firme e lento. A carne se abriu, o sangue escorreu quente, traçando um caminho até o queixo. Ela mordeu o lábio inferior com força, tentando não gritar. Seus olhos encheram-se de lágrimas, mas ela permaneceu imóvel, o corpo rígido, apenas arfando.
— Eu não quero desculpas. — Disse em tom calmo, porém gélido, observando cada reação do corpo dela. — Dê um jeito de trazer de volta aqueles pirralhos. — Fiz uma pausa, aproximando mais o rosto, sentindo a tensão que irradiava dela. — E garanta que, desta vez, seu feitiço seja forte o suficiente para camuflar qualquer elo.

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