POV: RAIKER
Ela tentou se afastar, os dentes cerrados, as correntes tilintando com violência.
— Me solta, Raiker! — rosnou com hostilidade, a voz grave, cortante. Feroz. Tão deliciosamente rebelde que fez meus olhos cintilarem. — Eu não pertenço a você!
Gargalhei de forma sombria, sentindo a tensão percorrer meu maxilar ao agarrar com força suas bochechas entre minhas mãos, fazendo com que sua pele ficasse marcada pela pressão dos meus dedos. Senti o tremor involuntário dela quando a puxei para mais perto, aproximando seu rosto ao meu, sem permitir que ela fugisse.
— Não foi o que a Deusa disse, minha loba. — Pronunciei com desprezo, forçando seu corpo para frente até esmagar seus lábios com os meus, sem qualquer piedade. Movi a boca com violência, rasgando a pele delicada com as minhas presas afiadas. O sabor metálico do sangue se espalhou pela minha língua, enquanto ela se debatia, arqueando as sobrancelhas em dor e raiva, tentando empurrar meus ombros, mas era inútil.
Quando senti seus dentes cravarem na minha língua, reagi instintivamente, empurrando-a com força brutal. Ela cambaleou para trás enquanto eu tocava a boca que sangrava, passando a língua devagar sobre o corte, sentindo a ardência misturada ao gosto de ferro.
— Sua vagabunda teimosa. — Rosnei, sem desviar o olhar de seu corpo agora tenso e em alerta.
Dei um tapa violento em seu rosto, o estalo seco preencheu o espaço, seguido pelo som de seu corpo atingindo o chão. Savanna gemeu, curvando-se ao lado, cuspindo sangue no piso frio, os cabelos grudando em seu rosto. Seus braços tremiam enquanto tentava se apoiar, o peito arfava com dificuldade, mas, mesmo assim, ela ergueu o rosto, com um sorriso debochado manchando seus lábios feridos.
Ela começou a gargalhar, a voz rouca e carregada de desprezo, mesmo com o sangue escorrendo pelo canto da boca. A respiração dela era pesada, os ombros estremeciam a cada expiração, mas ainda assim não recuava.
— Qual a graça, sua imprestável? — Questionei, com a mandíbula tensa, enquanto passava lentamente a língua sobre o ferimento, mantendo o olhar frio fixo nela.
Savanna ergueu o queixo, contrariando o instinto de se proteger, mesmo com o corpo inteiro trêmulo pela dor. Os olhos estreitados, desafiadores, brilhavam em meio ao sofrimento evidente. Sua voz saiu carregada de ironia.
— Você! — Ela sustentou o olhar sem hesitar, apesar do medo nítido que fazia seus dedos se fecharem com força contra o chão. — Que acha que é meu dono porque a idiota da Deusa disse que somos Destinados.
Inclinei a cabeça, observando cada detalhe: o modo como ela engolia seco para conter o gemido de dor, a forma como as costelas subiam e desciam com rapidez, a pele arrepiada, denunciando o conflito entre o medo e a resistência. A fera sedenta por sangue dentro de mim rugia, inquieta, vibrando através dos músculos tensionados do meu corpo.
Savanna se levantou lentamente, soltando um gemido dolorido quando apoiou o peso do corpo sobre as pernas trêmulas. Ela ergueu a cabeça com esforço, empinando o nariz, os olhos apertados pela dor, mas cheios de desafio.
— Eu prefiro morrer a ser sua cadela, Raiker! — declarou, com a voz rouca e carregada de ódio, mesmo com o peito arfando, tentando conter o desespero que a fazia estremecer.

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