POV: RAIKER
Dei um leve puxão na corrente presa aos pulsos dela, prendendo no alto de sua cabeça, deslizando a ponta do nariz por sua pele, até abertura da camisa mordendo ali, enquanto ela se debatia e olhava para o pulso que claramente queimava sobre a prata.
— Como disse, Raiker… — a voz dela saiu firme, mas o leve estremecer dos ombros a denunciou. Ela se levantou lentamente, os joelhos falhando, e precisou apoiar uma das mãos na parede úmida atrás de si para manter o equilíbrio. Engoliu em seco, respirando fundo, o peito arfando enquanto me encarava com desafio. — O sangue da caçula… por ter a linhagem ancestral da Deusa… e de Fenrir… seu poder é muito maior… e puro.
A observava com atenção, cada mínimo movimento, cada suspiro, cada contração involuntária dos músculos tensos. Ela tentava manter aquela postura altiva, mas o cheiro do medo dela estava impregnado no ar, misturado ao suor e ao sangue seco que manchava suas roupas rasgadas.
Inclinei levemente o rosto, deixando que as presas se projetassem, um sorriso frio se formando no canto da boca.
— Que lástima… — deixei a voz arrastar, baixa e provocante, enquanto passava a língua lentamente sobre as presas expostas. — Parece que meus outros sobrinhos… não passam de um peso morto.
Saboreei o silêncio que se instalou por um segundo, enquanto via os olhos dela se estreitarem e a mandíbula se tensionar, as mãos cerradas em punhos trêmulos, as unhas cravadas na palma.
— Peso morto? — repetiu ela, o cenho franzido, a respiração acelerando de forma perceptível. O tom saiu em um meio sussurro, carregado de indignação.
Aproximei-me mais um passo, a imponência do meu corpo forçando-a a recuar até que suas costas colidissem com a parede fria. Inclinei-me até que nossos rostos estivessem a poucos centímetros, a respiração quente batendo contra sua pele, que arrepiou visivelmente.
— Você pretende… — ela começou, a voz falhando. Engoliu em seco, desviando rapidamente o olhar para o chão. — São apenas… crianças, Raiker!
Arqueei uma sobrancelha, soltando uma risada abafada, sem qualquer humor.
— Que se tornarão… Alfas poderosos… — rosnei, deixando a frieza escorrer em cada palavra. Inclinei o rosto até a altura do pescoço dela, inalando o perfume sutil escondido sob o suor e o sangue, e continuei: — Principalmente… aquela cópia patética de Daimon…
Pousei as mãos na lateral de sua cabeça, descendo uma pela lateral de suas costelas quebradas, seu corpo estremeceu por completo em espasmos de dor. Adorava o quanto ela suportava cada ferimento!
— Orion… — continuei rosnando, as presas raspando de leve contra seu pescoço, causando-lhe um arrepio visível que percorreu sua espinha. — Se tornará um Lycan… poderoso.
Savanna soltou um suspiro entrecortado, o peito subindo e descendo de maneira descompassada, o rosto contorcido em tensão.
— Está com medo… — murmurou, com a voz embargada, ainda sem coragem de erguer o olhar. — De que eles se tornem… inimigos poderosos.
Por fim, ergueu lentamente o rosto, os olhos marejados de dor, mas ainda assim sustentando o olhar furioso. Mordeu o lábio inferior com força, respirou fundo, buscando recompor-se, e completou:
— Sele… seus lobos… — a voz saiu num fio rouco, quebrada pela dor, pelo medo, mas ainda com um resquício de bravura. — Não precisa… matá-los…
— Ah… minha cara de coração mole… — ri baixo, com escárnio, dando um passo firme à frente. O som das minhas botas ecoou no chão frio e úmido da cela. Ela permaneceu imóvel, os olhos fixos em mim, mas as narinas dilataram-se em uma respiração tensa e descompassada.

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