POV: DAIMON
Assim que as palavras saíram da boca dele, o nome maldito queimei minha audição, e um rosnado profundo e ameaçador irrompeu da minha garganta.
Minhas presas se projetaram automaticamente, rasgando a carne sensível da gengiva, expostas e pulsantes, prontas para o abate. O peito arfou com força, meus músculos se tensionaram, e senti Fenrir se agitar dentro de mim, vibrando em pura fúria.
"Certeza? Eu quero é arrancar a cabeça dele e fincar na entrada da alcateia como um lembrete a todos…"
— Desde o ataque, o Beta trabalhou incansavelmente para derrubar os inimigos ao redor, ajudou pessoalmente a reconstruir esta alcateia e liderou as buscas com os rastreadores atrás de seus rastros. — Stephan ergueu a coluna ereta, manteve o tom firme, tentando esconder a tensão que eu sentia vibrar sob sua pele. Seu olhar era afiado, altivo, porém, não conseguia disfarçar a leve contração no maxilar. — Francamente… se ele é o traidor, soube manter bem as aparências. Ainda assim… Simon é extremamente inteligente. Teria fugido antes do seu retorno.
Ele respirou fundo, mantendo o olhar fixo no meu, mas eu podia sentir o cheiro do suor frio começando a se espalhar sob sua pele. O medo é um perfume que nunca me engana.
Inclinei levemente o rosto, os olhos se estreitando, o peso do meu domínio absoluto recaiu sobre ele como uma parede intransponível.
— Talvez… — murmurei, deixando a palavra deslizar pela minha língua com um desdém frio e calculado, enquanto apertava seu ombro com mais força, sentindo a resistência muscular ceder sob meus dedos. Stephan estremeceu sutilmente, mas não ousou recuar.
Minhas pupilas dilataram no mesmo instante, involuntário, o lobo emergindo à superfície com brutalidade, Fenrir rosnando, faminto por sangue e por respostas.
"Isso… mais forte… quebra ele, Daimon…" O rosnado interno me fez apertar ainda mais, e minha mandíbula se contraiu, as presas prontas para rasgar carne se fosse preciso.
— Ou talvez, Simon tenha mais aliados… aqui dentro. — Deixei a acusação no ar, densa, sufocante, letal. O salão pareceu encolher, os sons se tornaram abafados, como se todos prendessem a respiração esperando pelo estalo final.
Stephan ofegou, e o lobo dele se fez visível em seus olhos azuis que brilharam com intensidade agressiva. Ele inclinou o tronco ligeiramente para frente, rosnando baixo, desafiador.
— Duvida da minha lealdade… Supremo? — O tom era ácido, os músculos tensionados, o coração acelerado. Seu lobo à espreita…, mas contido pela força bruta da minha presença. — Lutei ao seu lado. Mantive tudo de pé na sua ausência. Você me convocou como um Alfa… nunca desejei isto.
O peito dele arfava, os punhos cerrados, as veias saltando de indignação.
— Hunf. — Soltei um bufar arrogante, batendo duas vezes no ombro dele, não com gentileza, mas com a força suficiente para deixá-lo bem ciente de quem mandava ali. — O Beta já lutou diversas batalhas ao meu lado, Stephan… Não fique convencido só porque foi chamado.
Stephan sorriu, aquela expressão conformada e ligeiramente petulante, como alguém que sabe que está à sombra de um rei que pode esmagá-lo a qualquer segundo, mas que, por ora, ainda respira.
— Tarde demais. — respondeu, inclinando levemente a cabeça, como se aceitasse o peso da minha presença, e saiu.

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