POV: DAIMON
Puxei o ar, deixando o silêncio se comprimir entre nós antes de continuar, mais cortante:
— Possuo minhas próprias convicções.
Seu corpo tremeu, os dedos se cravaram involuntariamente no tecido da minha camisa, puxando e soltando num gesto tão sutil quanto desesperado.
Afastei-me com lentidão, mantendo os olhos fixos nela, como quem arranca a alma de dentro do corpo só com o olhar.
Airys mordeu o lábio inferior, apertando-o até quase machucar, desviando o olhar, inquieta, como se precisasse fugir, mas sem conseguir dar um único passo para longe.
— Podemos estar errados... — murmurou, a voz baixa, quase um sopro.
Sorri de canto, um rosnado seco vibrando na minha garganta enquanto ergui a mão e, com um toque suave, cutuquei a ponta do seu nariz, forçando-a a olhar para mim, a encarar o inevitável.
— Você deseja que estejamos. — minha voz saiu como uma acusação crua, sem espaço para dúvidas.
Ela fechou os olhos por um segundo, inspirando forte, estremecendo sob o peso das minhas palavras, mas não respondeu. Não precisava. Eu já sabia a resposta.
Me virei então, sentindo o lobo inquieto na superfície, pronto, faminto, perigoso. E encontrei as crianças ali, em volta, com os olhos arregalados, absorvendo cada centímetro daquela cena como se assistissem a um espetáculo onde o medo e a admiração se misturavam.
— Querem conhecer o seu lar... e o seu futuro?
— Futuro? — Orion exclamou, com as sobrancelhas arqueadas e o olhar faiscando, os tons terrosos e intensos das suas íris vibrando com uma curiosidade que ele não se preocupava em disfarçar, mesmo mantendo o corpo ligeiramente à frente dos irmãos.
Inclinei levemente a cabeça, avaliando aquele pequeno Alfa em formação, a postura firme e o olhar astuto que denunciava sua essência.
— São filhos de um Alfa, garoto. — Jasper se aproximou, com aquele sorriso provocador desenhado nos lábios, acenando com a cabeça, confirmando que o Beta já estava devidamente preso, sem chance de fuga. — Quem você acha que vai assumir o trono quando o seu velho se aposentar?
Dei um meio sorriso, sem corrigir nada. O trono não se herda. Se conquista. Mas eles logo entenderiam isso da maneira mais difícil.
— Nossa! Sério? — Theron soltou, com a empolgação escorrendo da voz, os olhos arregalados e as mãos já cerradas em pequenos punhos, como se estivesse pronto para alguma batalha imaginária. — Vou poder mandar no tio Jasper... e em vários lobos?!
Jasper bufou uma risada seca e, sem hesitar, esticou a mão e deu um peteleco certeiro na cabeça do garoto, fazendo-o inclinar o pescoço com um resmungo abafado.
— Ei! — Theron se virou, irritado, esfregando a cabeça, enquanto Jasper soltava outro sorriso debochado.
— Precisa treinar muito… e comer muita carne… para isso, pulguento. — o tom foi sarcástico e ácido, como de costume, porém não escondia o orgulho contido.

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