POV: AIRYS
Meu corpo respondeu antes da minha mente.
Um arrepio subiu pela espinha, meu estômago se contraiu e senti os joelhos ameaçarem ceder com a intensidade daquela voz tão próxima da minha pele.
— Tenho esse direito, humana. — Ele sussurrou, como um aviso. Um lembrete. Uma promessa.
Fechei os olhos por um segundo, tentando manter o mínimo de autocontrole.
Mas minha respiração já havia acelerado, meu peito arfava em silêncio, minha pele queimava.
— Fica por sua conta e risco deixá-los assim... mimados. — Murmurei, a voz mais trêmula do que gostaria de admitir.
Tossi discretamente, limpando a garganta com pressa, tentando ignorar o calor que crescia entre nós. Me afastei com um passo forçado e me virei para as crianças.
— Então... — chamei, com um sorriso que tentava parecer firme. — Que tal escolhermos os quartos e organizarmos tudo juntos?
Os três pularam no mesmo instante.
— Sim! — Alec gritou empolgada, girando sobre os pés e disparando pelo corredor.
Theron veio logo atrás, rindo, completamente animado, enquanto Orion os seguia com o olhar mais atento, mas sem esconder o entusiasmo contido.
Eles abriram uma porta após a outra, rindo alto, discutindo entre si sobre qual quarto era mais legal, se podiam ficar todos perto ou se dormiriam longe e separados.
Observei os três se espalharem pelo andar com o coração apertado.
Eles pareciam... livres.
— Você vai se arrepender disso, Supremo. — Virei para ele, ainda sorrindo, mesmo com o rosto quente e o corpo vibrando da tensão que ele deixava atrás de cada palavra.
Daimon deslizou as mãos para dentro dos bolsos da calça com uma lentidão preguiçosa, tombando levemente a cabeça para o lado.
Era raro vê-lo assim: relaxado...
Foi nesse momento que entendi: Daimon poderia sentir muitas coisas, mas arrependimento não era uma delas.
Seus olhos, fixos nos trigêmeos, vibravam em tons terrosos e vermelhos, como brasas vivas, misturando força e algo primitivo que eu não conseguia descrever.
Em seu peito, notei o ronronar baixo, um som de satisfação tão profundo que percebi que ele mesmo não tinha consciência de que estava ali.
Tanto Daimon quanto Fenrir pareciam encantados com o papel de pai, o vínculo com aqueles pequenos e eu?
Eu me vi ainda mais apaixonada por eles.
Pelo homem.
Pelo lobo.
Por tudo que ele era.
Caminhei em sua direção, sentindo o calor que sempre emanava dele.
Ele só desviou o olhar dos filhos para mim, e quando voltou a me encarar, um arrepio violento subiu por minha espinha.
O peso da emoção refletida em seus nos olhos era impossível de ignorar.
Ali havia desejo, orgulho..., mas também uma ternura e felicidade.
“Uma realização” Rielly ronronou.
Ia falar algo, mas o corpo de Daimon se retesou de repente, como se uma linha de tensão invisível o puxasse de volta para o modo alfa absoluto.
Ele inclinou levemente a cabeça, as narinas se abrindo, farejando o ar.
O rosnado que escapou de sua garganta foi baixo e grave, como um trovão contido.
— Estou indo! — Ele declarou ferozmente, sem desviar dos meus olhos por um segundo sequer.

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