POV: DAIMON
Desci as escadas, estalando os dedos para a governanta. Tudo que meus filhos e minha Luna desejassem deveria ser atendido sem demora. Jasper se aproximava ao lado de Stephan, sempre prontos para receber minhas ordens.
— O conselho já está reunido na sala de conferência. — Disse Stephan, mantendo a postura ereta e o olhar atento. — As Matriarcas também foram orientadas a comparecer ao final da tarde.
Jasper arqueou a sobrancelha, o sorriso sarcástico surgindo em seus lábios enquanto continuava.
— O prisioneiro segue no calabouço, mas o Beta está estranhamente calmo para alguém que foi declarado culpado.
Rosnei baixo, meu peito se expandindo em um suspiro pesado. O ar ao redor parecia vibrar com minha fúria contida.
— Simon é astuto, não se entrega e nem deixa transparecer culpa. — Minha voz soou gelada, cortante e impassiva. — Em situações perigosas, sempre se mostrou tranquilo e passivo. Mas eu o conheço melhor que ninguém.
“Ele fede a medo, Daimon… mesmo que finja estar sereno,” Fenrir rosnou dentro de mim, seu tom carregado de desprezo e um instinto assassino que coçava sob minha pele. “Vai implorar quando eu rasgar cada palavra de desculpa dele.”
— Ainda acho estranho ele o ter traído, Supremo. — Stephan interveio, coçando o queixo, o olhar atento e cheio de sarcasmo contido. — Há algo que não se encaixa nesta história.
Arqueei a sobrancelha, soltando um suspiro pesado, o ar saindo quente dos meus pulmões. O cheiro de suor e nervosismo impregnava o ambiente, misturado com o odor amadeirado do salão.
— Por isso Jasper irá investigar e trazer provas para o julgamento. — Rosnei, minha voz firme e cortante como uma lâmina. — Eu mesmo farei uma visita apropriada ao prisioneiro após a reunião do conselho.
Minha paciência era tão curta quanto a vida útil de quem ousava me desafiar. Stephan segurou o riso, mas seus lábios se curvaram em um sorriso provocativo. Jasper soltou um suspiro pesado, erguendo a sobrancelha em curiosidade.
— Uma visita apropriada... — Jasper murmurou, seu humor. — Parece que alguém vai perder muito mais do que apenas a confiança hoje.
O peso das minhas palavras pairava como uma ordem incontestável. Eles sabiam o que isso significava. Eu não era conhecido por piedade. A misericórdia, se existisse, vinha do coração puro de minha Luna. Nem isso o maldito traidor merecia.
“Podíamos arrancar membro por membro dele até ele confessar,” bufou Fenrir, a voz selvagem vibrando em minha mente. “Seria mais rápido e não perderíamos tempo… poderíamos ficar com nossas companheiras.”
Minhas narinas arderam quando inspirei profundamente, sentindo o cheiro de medo que impregnava cada canto. Minhas mãos fecharam em punhos, os nós dos dedos estalando sob a força que eu mesmo exercia.
— Se Simon não é o culpado, quem seria? — Jasper arqueou a sobrancelha, o tom conspiratório enquanto me fitava e se voltava a Stephan. — Com todo respeito, sempre admirei nosso beta. Eu me espelhava nele. Fui treinado por ele. Mas… o único que vejo com poder para infiltrar inimigos na alcateia sem ser percebido seria o Beta ou você, Stephan. Mas, você já foi descartado como cúmplice.

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