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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 262

POV: DAIMON

Continuei imóvel, observando os detalhes. O modo como alguns desviavam o olhar, o suor escorrendo na têmpora do mais novo dos líderes, os dedos trêmulos de um velho conselheiro que não parava de alisar as vestes como se isso fosse esconder o medo que o devorava por dentro.

A reunião prosseguiu. A cada nome pronunciado, outro problema vindo à tona, decisões que só um Alfa poderia tomar. Famílias dilaceradas, filhotes órfãos, casas reduzidas a cinzas, rebeliões em territórios antes leais, grupos sem comando. Raiker havia arrancado o coração do sistema que eu mesmo ergui. Tudo o que construí estava em pedaços. O caos não era uma ameaça. Era um fato.

“Reconstruiremos melhor,” rosnou Fenrir, impaciente, farejando o sabor da destruição. “Muito melhor desta vez. Com os nossos herdeiros no topo da cadeia.”

Ao final da tarde, o conselho se dissolveu sob meu comando. Um a um, os conselheiros deixaram o salão em silêncio absoluto, cabisbaixos, conscientes de que cada decisão ali tomada pesaria sobre suas peles ou suas vidas.

As matriarcas entraram logo em seguida, os passos curtos, quase silenciosos. Os corpos ligeiramente curvados em reverência, como se o próprio ar estivesse pesado demais para permitir que ficassem completamente eretas.

— Rei Lycan. — Disseram em uníssono, as vozes afinadas, porém frágeis, como se temessem pronunciar meu título de forma errada.

Me recostei no trono, girando o copo de cristal entre os dedos. O uísque escorria no vidro, âmbar e denso. Dei um gole curto, observando cada uma delas com frieza. O silêncio se prolongou de propósito. Queria que sentissem o peso do que viria.

— Minha Destinada e eu ainda não passamos pelo ritual de elo. — Comecei com a voz baixa, mas carregada de intenção. — O Solstício ainda está distante. — Me inclinei levemente, apoiando o antebraço no encosto do trono, olhando cada uma delas nos olhos. — E, por causa do maldito pacto dos Supremos, não podemos oficializar a união... nem a marcar como deveria ser.

O desconforto era evidente. As matriarcas se entreolharam, e os corações acelerados batiam como tambores abafados em minhas percepções. O cheiro de cautela e preocupação impregnava o ar.

— Compreendemos, Supremo. — Disse a mais velha, mantendo a cabeça baixa. — Sua companheira... já que não é mais humana, precisará passar pelo treinamento necessário às obrigações de uma Luna Suprema.

Ela pausou. Um silêncio pesado caiu por um segundo. A velha loba respirou fundo, hesitando antes de continuar.

— Podemos prepará-la para o Solstício. — Ela engoliu seco. — No entanto, é um risco. Talvez a união jamais aconteça… já que o senhor se recusa a entregar a criança consagrada à Deusa.

— O que exatamente quer dizer com isso? — Minha voz saiu baixa, com o poder Lycan vibrando os pilares. Apertei o copo entre os dedos. O som seco do vidro trincando se misturou ao rangido da minha mandíbula. A aura que emanei foi imediata, cortante. Um calor sufocante se espalhou pelo salão, e senti o medo delas subir como cheiro de carne exposta.

Elas começaram a tremer. O suor escorria pela testa da mais nova, os olhos arregalados, os lábios entreabertos em uma tentativa inútil de manter o controle.

— Responda. — Rosnei, firme, impaciente.

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