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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 266

POV: AIRYS

Estava parada diante da grande janela do salão, com os braços cruzados e o humor oscilando entre tédio e frustração. Do alto daquela torre, eu conseguia ver quase toda a extensão da alcateia. Mas o que meus olhos realmente procuravam… era ele.

Desde que voltamos, Daimon e eu mal tínhamos ficado juntos. Nada de noites intensas, mordidas reivindicadoras ou discussões provocativas: só distância. Fria, irritante, calculada.

Jasper ficou encarregado da nossa segurança, nos escoltou pela fortaleza, apresentou a rotina às crianças, inclusive a escola. E agora, aqui estou eu. Sentada em mais uma aula torturante sobre o papel da Luna Suprema, com um bando de matriarcas que me observam como se eu fosse um experimento prestes a dar errado.

“E julgam”, bufou Rielly, impaciente dentro da minha mente. “Francamente, que perda de tempo. A gente podia estar fazendo algo útil, tipo... quebrando alguns pescoços no treino com os guerreiros.”

Suspirei. Alto o bastante para irritar a velha à minha esquerda.

“Temos inimigos à solta, Airys! Esqueceram de Jaqueline? Do maldito Colen? Aqueles traidores merecem ser caçados como os ratos que são! Pelos nossos filhotes! Pelas marcas que deixaram!”

— Eu sei… — resmunguei em voz baixa, fingindo prestar atenção na explicação sobre hierarquias protocolares. — Mas Daimon foi claro. Essas aulas são prioridade agora.

“Prioridade é enterrar a cabeça daqueles dois em bandejas de prata.”

Revirei os olhos.

— Precisamos entender as leis internas, Rielly. Se vamos mesmo ajudar Daimon a restaurar essa bagunça, alguém precisa saber como as normas funcionam por dentro. Talvez até reformular algumas coisas…

“Tipo começar pelo fim dessas reuniões inúteis.”

Engoli um riso.

— Luna? — A Matriarca mais velha me chamou com a voz arrastada, me arrancando dos pensamentos — ou melhor, da discussão mental nada educada com a minha loba. — A postura é algo essencial em uma Suprema. Não devemos demonstrar preocupação... ou qualquer oscilação emocional.

Sorri. Do tipo que não chega nos olhos. Girei lentamente o rosto em direção a ela, com uma calma proposital que fez até o ar no salão pesar.

— Está me dizendo para agir como o Alfa? — levantei uma sobrancelha, mantendo o tom ácido e o olhar afiado. — Sei que meu companheiro camufla bem os sentimentos, Matriarca. Frieza, rigidez, sim, é um talento admirável. Mas não me confunda com ele.

Deixei a frase escorregar:

— Gostando ou não, fui humana boa parte da vida. E, com todo o respeito… — sorri de novo, mais doce, mais venenosa — acho que vocês, Lupinos, ainda têm muito a aprender sobre humanidade.

Ela remexeu-se desconfortável na cadeira, tentou manter a postura firme, mas seus olhos denunciaram o incômodo. Não me respondeu. Apenas assentiu, engolindo a soberba junto com a saliva.

“Você acabou de desossar a velha com classe. É por isso que eu te amo.” Rielly vibrou.

A tarde seguiu arrastada como uma eternidade. Leis. Protocolos. Comportamento ideal da Luna Suprema. Rituais antigos. Estava com os cotovelos apoiados na mesa, fuçando livros empoeirados com regras que pareciam ter sido escritas na era dos mamutes, mas… curiosamente, algumas daquelas leis antigas faziam sentido. De um jeito arcaico e brutal, mas prático.

“Essa aqui é boa,” Rielly comentou ao ler junto comigo. “Regra número 147: todo traidor deve ter a língua arrancada com as garras do próprio Alfa. Essa eu apoio com força.”

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