POV: SIMON
Senti o sangue pulsar mais forte no pescoço, no ritmo lento e constante da fúria que crescia. Cerrei os dentes, mas mantive o olhar nela, firme, ainda que as algemas de prata ardessem nos pulsos e o corpo inteiro latejasse com a dor acumulada dos dias de cárcere.
Ponderei suas palavras, deixando que escorressem na minha mente como veneno. Então ergui o queixo machucado em direção a ela, expondo sem medo a cicatriz aberta que se formava sob a mandíbula.
— Então é isso? — murmurei, com a voz arranhada e baixa, como um animal prestes a atacar. — Está aqui só porque quer me ver sofrer como você sofreu?
Ela sorriu, mas não havia nada de doce naquele sorriso. Era distorcido, vazio, faminto por destruição.
"Ela quer ver a ruína completa. Não a justiça."
Arqueei uma sobrancelha, me aproximando até onde a corrente permitia. O ferro estalou, mas não recuei. A respiração dela se alterou, sutil, mas visível. O peito subia e descia rápido. A loba dela sentiu minha aproximação.
— Mendy… — minha voz endureceu. — Você tem algo a ver com o ataque à nossa alcateia?
Os olhos dela piscaram. Um, dois segundos. Um sutil estremecer nos ombros. Ela hesitou. Vi. Claramente.
— Eu? — Mendy debochou, inclinando a cabeça com aquele sorrisinho torto que sempre precedia suas perversidades. O olhar dela cintilou em puro deleite, as pupilas vibrando com uma maldade que fez minha pele arrepiar. — Por que uma simples médica se vingaria do seu Beta?
Naquele instante, tudo se encaixou. Cada detalhe. Cada movimento suspeito. Cada desgraça que caiu sobre mim.
Arqueei as sobrancelhas, arfando com a respiração pesada. A raiva subiu como uma labaredas pelas minhas costas. O lobo dentro de mim rosnou com força.
— Mendy. — rosnei entre os dentes, com a voz mais baixa do que um sussurro, mas tão carregada de fúria que até o ar ao redor pareceu pesar. Avancei até as grades, agarrando as mãos dela com força brutal. As minhas garras se estenderam, penetrando a carne das mãos delicadas dela sem piedade.
Ela arregalou os olhos, surpresa. O gemido de dor escapou de sua garganta antes que conseguisse controlar. Se debateu, tentou recuar, mas não deixei.
— O que você fez? — exigi, aproximando meu rosto do dela, sentindo seu hálito falhado, o medo começando a escorrer pela pele dela em forma de suor. — Você foi a única pessoa... a única! ...para quem contei sobre o sangue Supremo. Sobre o poder que ele carrega. E sobre como usá-lo.
Ela estremeceu, os olhos arregalados vibrando com algo entre pânico e negação. Os lábios se abriram, mas nenhuma palavra saiu.
— E eu falei isso... — minha voz falhou de leve, mas continuei pressionando as garras mais fundo — quando estava bêbado! Você me embebedou naquela noite! Você me fez baixar a guarda! Me arrancou a verdade! Usou contra mim!
Eu já suspeitava. Desde o instante em que o Alfa mencionou o sangue... algo queimou em mim como um aviso.
Mendy tinha sido a única pessoa para quem eu contei sobre aquele segredo. A única. E mesmo depois de tê-la rejeitado, mesmo depois de tudo, ainda me sentia preso a ela por um senso de responsabilidade maldita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO