POV: SIMON
— Isso não te dava o direito de destruir tudo! — minha voz saiu grave, quebrada, como se o próprio lobo rugisse por dentro. — Você ultrapassou todos os limites!
Mendy puxou o braço com força e conseguiu soltar uma das mãos da minha pegada. Ela a segurou junto ao peito, protegendo os cortes que eu havia feito. As garras ainda deixavam finos filetes de sangue escorrendo pela pele pálida. Mesmo ferida, ela continuava desafiadora.
— Além do mais… — ela disse, ofegante, lambendo os lábios como uma víbora vitoriosa — é impossível que o Supremo descubra qualquer coisa. Armei um espetáculo… impecável. Com provas, com testemunhas, com tudo o que era necessário.
Arqueei as sobrancelhas, sentindo um arrepio gelado descer pela espinha.
— Provas? — minha voz saiu num sussurro carregado. — Que provas, Mendy?
Ela sorriu mais largo. Os olhos brilhando de prazer doentio.
— E adivinha... — disse, com a respiração ainda descompassada. — Para quem todas essas provas apontam?
— Você não pode estar fazendo isso, Mendy. — sentir os dedos estremecerem ao perderem o contato com a pele dela, agora manchada de sangue. O choque atravessou meu corpo como uma descarga. — Você está se vingando porque eu te rejeitei…
Dei um passo para trás, arfando, a garganta seca, o coração disparado. As palavras mal saíam. Minha mente gritava para acordar daquele pesadelo.
— Eu não te amava. — confessei, com a voz falha, trêmula, mas firme. — Seria mais cruel manter você ao meu lado por pura obrigação, fingindo o que nunca existiu. Eu quis te libertar. Quis te poupar.
"Ela preferia a ilusão ao invés da verdade. E agora quer vingança por algo que chamei de misericórdia."
Ela riu. Um som amargo, cortante. O corpo dela estremecia, os olhos verdes brilhando com lágrimas não de dor, mas de puro rancor. Seu cheiro mudou. Não era mais desejo ou dor. Era ódio. Cru, ácido, insuportável.
— Me privar? — ela repetiu, com a voz embargada e carregada de amargura. — Deixar livre? Você me rejeitou, Simon! Rejeitou sua Luna destinada por uma... por uma feiticeira!
Dando um passo à frente, as unhas se cravando nas palmas cerradas, ergueu a coluna com a altivez de uma rainha vingativa. O queixo levantado. Os olhos fixos nos meus.
— Agora lide com as consequências das suas escolhas! — Ela recuou com a coluna ereta, ajustando a postura com arrogância.
— Mendy… não faça isso comigo... — sussurrei, a voz embargada, baixa, sufocada pela humilhação. Abaixei a cabeça, envergonhado por me rebaixar diante dela, mesmo depois de tudo. — Eu não mereço isso. Você tem ideia do que vai acontecer comigo?

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