POV: DAIMON
Seus olhos estavam marejados, e a umidade tornava o tom dourado de suas íris ainda mais evidente. Eram como brasas vivas, pulsando emoção. Os lábios tremiam, entreabertos, entregues à força do momento. Ela respirava rápido, mas não era medo. Era algo mais. Era emoção crua. Real.
Sorri de canto. Um sorriso enviesado, carregado de orgulho e rendição. Ver minha humana audaciosa ali, tão entregue, me afetava de um jeito que eu jamais permitiria em qualquer outro cenário. Mas com ela, tudo sempre foi fora do padrão. Airys nunca seguiu regras. E foi exatamente por isso que derrubou cada uma das minhas defesas.
Era estranho me ver assim. Eu, Daimon Fenrir, Alfa Supremo, uma criatura moldada em guerra, sangue e dominação. Eu era incapaz de sentir amor, empatia, ou qualquer outro sentimento tolo que os fracos exaltam como virtudes. Até ela.
Até essa pequena encrenqueira entrar como uma tempestade na minha vida... e me obrigar a sentir.
Airys fez o que nenhum outro humano, lobo ou Lycan jamais ousou sequer tentar: me derrubou. Fez a fera se curvar. Fez o Alfa se ajoelhar.
Me ajoelhei.
Por ela.
Por nós.
— Você... — sua voz saiu falha, embargada. — Está mesmo fazendo isso?
Levantei o olhar até o dela e respondi, firme, sem hesitação:
— É claro que estou!
As mãos dela tremiam, mas não se afastaram. Ao contrário, vieram até meu rosto, como se estivessem buscando confirmar se aquilo era mesmo real.
“Viramos mesmo cachorros na mão dela.” A voz de Fenrir ecoou, sarcástica, mas sem qualquer traço de revolta. Havia rendição em cada palavra. “Ela já pode nos comprar uma coleira.”
Grunhi baixo, abafando a gargalhada que quase escapou. Mas Airys me encarava com um sorriso torto, como se sentisse nossa troca interna.
O padre que eu mesmo contratei iniciou a cerimônia com sua voz grave preenchendo o salão silencioso. Ao meu lado, o corpo de Airys tremia levemente. Ela tentava manter a postura, mas eu sentia cada vibração dela percorrer nossos laços invisíveis. Seus olhos escapavam para os meus o tempo todo, como se buscassem a certeza de que aquilo era real.
Segurei sua mão com firmeza e deslizei os dedos pelo dorso delicado, acariciando devagar, deixando claro que eu estava ali. Com ela. Por ela. E nada no mundo seria capaz de nos separar.
Quando o momento da troca de alianças chegou, as portas do salão se abriram e nossos filhos entraram.
Theron e Orion estavam impecáveis. Usavam ternos escuros que combinavam com o meu — elegantes demais para os pequenos guerreiros que eram. Os cabelos estavam penteados para trás, e os olhos, arregalados, grudaram em Airys como se vissem uma deusa em carne e osso. E era exatamente isso que ela era.
Minha deusa.

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