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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 288

POV: AIRYS

Em algum momento, adormeci sobre o peito largo e firme de Daimon. O som compassado de sua respiração e os ronronados que vibravam de seu tórax envolviam meu corpo em segurança, como uma melodia silenciosa que embriagava a alma. Seu aroma forte e inconfundível de terra molhada e cedro fresco impregnava o ar ao meu redor, aquecendo minha pele e relaxando até os músculos mais tensos.

Mas então… algo mudou.

Um sussurro distante cortou o silêncio da madrugada. Gélido. Profundo. Um arrepio severo percorreu minha espinha. Meu corpo se encolheu instintivamente, buscando refúgio no calor de Daimon. Mas os sons continuavam... sussurrando meu nome, como se o vento ganhasse voz e intenções próprias.

Arfei.

Abri os olhos lentamente, forçando a visão a se ajustar à penumbra que envolvia a cabana. O ar ali dentro era denso, carregado de calor e algo primal, como se o próprio ambiente estivesse marcado por nossos corpos. Meus dedos deslizaram com preguiça pelo peito nu ao meu lado, firme, quente, com cicatrizes que contavam histórias que eu ainda não conhecia, mas que queria desvendar uma por uma.

Ergui a cabeça devagar, repousando a palma da mão bem no centro do tórax largo de Daimon. O toque provocou um leve rosnado de aprovação em sua garganta. Um som grave, rouco, que vibrou sob meus dedos como se seu poder estivesse apenas adormecido, pronto para despertar e devorar o mundo.

Sorri de canto. Aquela selvageria incontrolável era um vício perigoso e eu já estava mergulhada até o pescoço.

Ele era brutal, indomável. Um macho em sua forma mais pura e letal. Cada cicatriz cravada em sua pele não diminuía sua beleza; realçava. Era o tipo de beleza que não se implora, que não se conquista, se sobrevive a ela.

Inclinei o rosto e deslizei os lábios sobre o maxilar tenso dele. Ele não acordou, mas o ronronar baixo e carregado que escapou de sua garganta me fez rir, satisfeita. Até dormindo, Daimon era uma ameaça.

“Airys...”

A voz não vinha dele. Era sussurrada, etérea, que rompia o silencio. Franzi o cenho e virei o rosto na direção da porta entreaberta.

Ali.

Um olho prateado me observava pela fresta, gélido e ancestral. Mãos pálidas seguravam o batente com rigidez, os dedos finos como os galhos retorcidos de uma árvore morta. Um capuz branco escondia quase todo o rosto, exceto aquela íris luminosa que parecia atravessar minha alma.

“Airys... venha.”

Engoli em seco.

Meu corpo reagiu antes mesmo de eu processar. Um arrepio desceu como uma descarga elétrica pela minha espinha, erguendo cada fio de cabelo. A aura da criatura... não, da presença... tomou conta da cabana como uma névoa viva. Poder. Frio. Antigo.

Estremeci. O frio que percorreu minha espinha foi real, denso, como um aviso que meu corpo captou antes da minha mente reagir. Apertei o braço de Daimon com força, os dedos cravando na pele quente do seu bíceps nu. Nada.

Nenhum rosnado. Nenhum movimento. Nenhuma resposta.

— Ei grandão, acorda. — sussurrei com a voz rouca, tentando provocá-lo com meu tom usual.

Mas ele... continuava imóvel. Firme como pedra, a respiração lenta demais para um predador como ele.

— Ele não irá despertar. — disse a mulher à porta, a voz baixa, suave e direta imponente.

Virei o rosto devagar. O capuz branco ainda ocultava seu rosto, mas agora ela abria mais a porta. Um meio sorriso surgiu em seus lábios pálidos, e o brilho prateado de seus olhos me travou no lugar como se ela tivesse puxado uma corrente invisível presa à minha espinha.

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