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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 289

POV: AIRYS

— Atenda ao meu chamado, consagrada. — A voz dela ressoou como um trovão contido, e então o corpo se alterou diante dos meus olhos. Não pisquei. Não ousei desviar o olhar.

Em um piscar de tempo, a mulher sumiu, e em seu lugar, surgiu uma loba colossal.

Branca. Brilhante. Majestosa.

O ar ao redor dela vibrou. Era palpável. Um campo de pura energia que se espalhava com uma força brutal. A neve pareceu hesitar no ar antes de tocá-la. A terra sob suas patas tremia sutilmente, como se o mundo reconhecesse quem havia ali.

Engoli em seco, instintivamente dando um passo para trás. Os olhos da loba eram dourados como barras de ouro, quase translúcidos, com uma luz ancestral ardendo nas profundezas. A aura que exalava era absurda. Era... divina.

— Deusa Selene. — minha voz saiu em um sussurro sufocado, entre surpresa e respeito. Inclinei levemente a cabeça, reverenciando, com o coração disparado e o corpo em alerta total. — Mas eu não sou uma consagrada...

A loba ergueu o queixo com soberania. A neblina ao redor girava como se fosse sugada para perto dela, curvando-se.

— Possui meu sangue, minha linhagem, minha escolha. — brandou, cada palavra como um rugido mudo, pesado, autoritário. — Sabe por que a chamei aqui?

Minha boca secou. Mordisquei o lábio inferior, o corpo ainda tremendo, o instinto gritando, o coração martelando no peito. A opressão daquela presença pesava sobre mim.

— Deusa... eu... — hesitei, e imediatamente senti. A pressão do poder dela aumentou, quase como um aviso. Meu peito arfou.

— O acordo feito não pode ser desfeito, Airys. — Selene soou como um trovão.

Sua forma lupina avançou um passo, e a terra sob suas patas estremeceu. A aura dela explodiu ao redor como uma onda de poder bruto. Fiquei imóvel, sentindo cada célula do meu corpo reagir à presença daquela força antiga.

Ela rugiu, um som baixo, arrastado, que fez o ar vibrar e meu estômago revirar. Os caninos brancos e afiados reluziam sob a luz da lua. As pupilas estreitas dela me fitaram com ameaça e exigência.

— Fenrir e os Supremos firmaram um pacto sagrado. Um juramento entre reinos. E o preço foi selado. — sua voz ronronava com autoridade divina. — A criança fêmea deve ser entregue a mim.

O sangue gelou por um segundo, mas minha fúria ferveu logo em seguida. Dei um passo à frente.

— Eu não entregarei minha filha a você, Deusa da Lua. — rosnei com firmeza, sentindo os pelos do braço eriçarem. O poder dela batia contra mim, mas eu não me curvava.

Meus punhos se fecharam com força.

Os olhos ardiam.

O peito arfava, cheio de indignação.

— Onde você estava quando minha mãe, sua consagrada, implorou por ajuda? — cuspi as palavras, entre os dentes cerrados. — Quando clamou para que nos protegesse? Para que poupasse?

A Deusa não respondeu de imediato. Apenas observava. Silenciosa.

Endireitei os ombros. Meu corpo inteiro tremia, mas não de medo. Era raiva. Era amor selvagem. Era instinto materno em carne viva.

— Não deixarei que leve minha filha para sofrer pelos seus caprichos divinos. — bradei, a garganta ardendo com a força das palavras. — Ela é minha. E nenhum pacto sagrado muda isso.

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