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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 290

POV: AIRYS

Meu corpo inteiro tremeu. O som do uivo ecoava em minha mente, uma dor que ninguém deveria carregar sozinha.

— Por que quer Alec? — encarei-a, direta, sem rodeios. — O que minha filha tem a ver com esse maldito acordo seu?

— Para que Fenrir conquistasse o que queria, uma companheira, a ruptura foi feita. Você não se tornou uma consagrada pura. — Selene voltou a forma humana, aproximando-se com passos firmes. Sua mão pálida pousou suavemente no meu rosto, virando minha cabeça para encará-la. Ela era muito mais alta que eu, sua beleza era imponente, impossível de ignorar. Fazia jus a ser chamada de Deusa. — Mas você trouxe humanidade à fera, e ao homem que nunca soube o que era sentir.

Engoli em seco, sentindo o peso daquela verdade crua. Minha respiração ficou irregular.

— Então meu Destino foi mudado... e agora minha filha tem que pagar por isso? — mordi o lábio, a voz carregada de nervosismo e desafio. — Eu não vou permitir. Deve existir outro jeito.

Selene me olhou com olhos dourados que pareciam perfurar a alma, sua aura vibrava com um poder quase insuportável.

— Alec já tem um destino traçado, minha criança. Nem mesmo eu posso mudar o inevitável. — Selene deslizou os dedos cintilantes pelos meus fios platinados, que brilharam sob seu toque frio. Sua voz tinha o peso da autoridade absoluta. — Não são caprichos. As consagradas têm o dever de alinhar cada indivíduo no caminho certo, para cumprir sua jornada e seu Destino.

Eu cerrei os dentes, sentindo a raiva crescer como fogo. Bati com força na mão dela, afastando seu toque do meu rosto, e rosnei, minha voz carregada de ameaça:

— Então escolha outra! — Minha postura endureceu, o peito arfando, o olhar fixo e feroz. — Ou me leve no lugar da minha filha. Mas Alec não será arrancada dos irmãos, da alcateia, da família dela para virar peça dos seus planos... ou do seu maldito Destino.

— Criança, se você e seu companheiro insistirem nessa decisão, as consequências por quebrar um acordo Divino serão devastadoras. — Os olhos dela brilharam com um tom predatório, o dourado ficou mais intenso, quase pulsando com uma luz que me queimava a pele. Instintivamente, levantei a mão e cobri o rosto, tentando escapar daquela claridade que parecia invadir tudo.

— Lembre-se, Airys — continuou, com a voz pesada, quase um ronronar ameaçador. — Não se pode enganar o Destino. E o preço por desafiá-lo... é brutal. Devastador.

Engoli em seco, sentindo um tremor subir pela espinha.

A luz pulsou com mais força, como se estivesse viva, vibrando no ar pesado ao meu redor. O silêncio caiu de repente, tão absoluto que podia ouvir meu próprio coração martelando no peito. Lentamente, tirei a mão do rosto, os olhos ainda ardendo pela claridade intensa. A loba branca havia desaparecido, e no horizonte, os primeiros raios do sol começavam a nascer, frios e pálidos.

Respirei fundo, sentindo o ar gelado que invadia meus pulmões, o corpo inteiro tremendo, não só pelo frio, mas pelo medo que ainda me apertava a garganta. Aquela visita da Deusa não foi um simples encontro. Era um aviso. Uma ameaça clara sobre o que aconteceria se desobedecêssemos e quebrássemos o acordo.

Abaixei a cabeça, esfregando os braços para afastar o frio que parecia querer me paralisar, mas principalmente para conter o turbilhão de pensamentos que me afogava. Levantei os olhos e encarei o vazio à minha frente, tentando buscar alguma resposta naquela imensidão silenciosa.

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