POV: DAIMON
Apertei os punhos. O lobo em mim se agitava com raiva e desejo.
— Não me faça bancar o lobo mau... — acrescentei, com um tom que beirava o rouco, o devasso, o mortal.
Minha mandíbula travou. O corpo latejava, tenso, impaciente.
Foi quando ouvi.
Os passos lentos do outro lado. O som do arfar trêmulo que ela soltou e aquele som entrou direto nos meus sentidos como um convite descarado. A maçaneta girou. A porta se abriu devagar. E lá estava ela.
Minha loba.
Airys me encarava de queixo erguido, provocante, atrevida mesmo com os olhos ainda marejados. O dourado selvagem de suas íris tremia sob a luz, mesclado com reflexos vermelhos, denunciando o quanto havia chorado... e o quanto tentava esconder.
— Tarde demais, Alfa. Você já agiu como tal. — Ela retrucou com a voz afiada, carregada de audácia, um desafio que queimava como fogo vivo. Sorri de canto, fascinado e encantado por toda a fúria que irradiava dela, como se fosse um convite para o meu pior, e meu melhor, lado.
— Qual a graça... — Ela começou, mas não deixei que terminasse.
Por que deixaria?
Não quando podia calar suas dúvidas, seus medos e receios com a única coisa que sabia oferecer: a minha proteção brutal, meu desejo imenso, a fome selvagem que me consumia.
Sem aviso, agarrei seus lábios, roubei seu beijo com força, intenso e urgente. A língua invadiu sua boca, explorando cada recanto, sugando, mordiscando, reivindicando tudo o que era meu por direito e mais um pouco. A sensação da pele dela contra a minha, o calor que explodia em nossos corpos, era eletricidade pura, doce, provocante, quase insana.
A língua dela se enroscou na minha, lenta e desafiadora, um jogo de poder que me arrancava um gemido baixo e possessivo. Minhas mãos deslizaram pelas costas dela, agarrando-a firme, sentindo cada curva, cada tremor que meu toque provocava.
— Audaciosa... — sussurrei contra seus lábios, sentindo o arrepio que percorreu sua pele.
Airys tentou se afastar, batendo contra meus ombros com força, mas eu a ergui do chão sem esforço algum. Suas pernas se fecharam rápido em volta do meu quadril, puxando-me para perto enquanto eu a conduzia até o parapeito da janela alta. Com um movimento firme, sentei-a ali, inclinando-me ainda mais sobre ela, meu corpo pressionando o dela, quente e urgente.
Minha mão deslizou por baixo da blusa dela, acariciando a pele macia e quente que estremecia sob meus dedos, fazendo minha boca secar. O cheiro dela, a textura da pele, o calor pulsando ali... era um convite e um desafio.

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