POV: AIRYS
— Que lisonjeiro. — cuspi, cruzando os braços, sentindo o sangue pulsar forte no pescoço. — E se fosse o contrário? — provoquei, com os olhos semicerrados. — Se eu escondesse algo de você, Daimon… como você se sentiria?
— Impossível. — Ele respondeu seco, com a arrogância típica que vinha junto com o título de Alfa Supremo. A postura rígida, o corpo imóvel, a presença dele tomava conta do espaço como uma força silenciosa, impossível de ignorar.
Engoli em seco, tentando conter a frustração que subia feito fogo pela garganta.
— Não quero estar atrás de você. Nem na frente. — soltei, firme. Mordi os lábios, respirando fundo, a irritação misturada com um gosto amargo de decepção queimando por dentro. — Achei que com você seria diferente, Daimon.
Ele apenas me observava, calado. Incomodamente calado.
— Achei que correríamos lado a lado. Que comandaríamos a alcateia juntos. Que criaríamos nossos filhos como parceiros. Sem segredos. Sem metades.
As lágrimas se acumularam contra a minha vontade, arderam nos cantos dos olhos, mas me recusei a deixá-las escorrer. Os lábios estremeceram, traindo a firmeza que eu tentava manter. Suspirei fundo, sufocando tudo, e dei um passo para trás, afastando alguns passos. Levantei a manga da blusa e sequei rapidamente os olhos, com um movimento seco e nada delicado.
— Esquece... — murmurei, com a voz quase falhando. — Melhor voltarmos para a alcateia. — Apertei os lábios e desviei o olhar, tentando recuperar o pouco de dignidade que ainda me restava. — Você deve ter muita coisa de Alfa para resolver. E eu... enfim...
Me virei, pronta para sair do quarto e encerrar aquela conversa do único jeito que ainda me restava: com distância. Mas não consegui sequer alcançar a maçaneta.
Sua mão agarrou meu pulso com firmeza, quente, decidida. Não era um aperto agressivo, mas continha a força exata para me paralisar.
Antes que eu pudesse reagir, ele me virou com brutalidade contida e avançou. Cada passo dele me obrigava a recuar até minhas costas baterem contra a parede. O ar foi arrancado do meu peito no impacto.
Daimon me encurralou ali, o corpo grande colado ao meu sem tocar diretamente. Seus braços se apoiaram de cada lado da minha cabeça, formando uma prisão impossível de escapar. O peito dele subia e descia com lentidão, mas vibrava em rosnados baixos, perigosos, carregados de fúria e posse.
Encarei-o, porque eu era teimosa demais para desviar. E ali estava ele: os olhos queimando com aquele brilho vermelho cortante, as presas expostas, o maxilar travado. A presença dele era um peso quente sobre minha pele, como se o ar tivesse sido substituído por ele.
— Se sair por essa porta, eu vou te caçar. — A voz saiu baixa, rasgada, arrastando as palavras como uma sentença final. Não era um aviso. Era um decreto.
Ele me agarrou pelo pescoço, os dedos longos se fechando com firmeza. O gesto me fez arfar, não por medo, mas pela reação imediata do meu corpo. A pele arrepiou. O estômago revirou. O calor se acumulou entre as pernas. Ele sabia disso. Sabia exatamente como meu corpo reagia à sua dominação.

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