POV: AIRYS
Ele arqueou uma sobrancelha, bufando com impaciência e rosnando baixo como se minha pergunta o cutucasse no lugar certo. Sentou-se com as costas na cabeceira da cama e, sem qualquer delicadeza, me puxou pelos quadris até ficar entre suas pernas. Seu calor me envolveu como um cobertor selvagem.
— Me diga… — rosnou contra meus cabelos, com aquela voz rouca e grave que fazia minha espinha tremer. — O que essa sua cabecinha audaciosa está aprontando agora?
Seu sopro quente roçou minha nuca, e todo o meu corpo se arrependeu de não ter permanecido colado ao dele. Arfei sem conseguir esconder. O cheiro dele me envolvia por completo, madeira, terra molhada, e algo só dele… primal.
"Confesso que estou curiosa com a sua linha de raciocínio. Vai fundo.” Rielly surgiu no fundo da mente, sorrateira.
Ergui o rosto, sem perder o contato visual com aqueles olhos intensos que ardiam sob a penumbra. Meu queixo apontado para cima em uma provocação involuntária.
— Por que Raiker sequestrou as crianças? — perguntei com firmeza. — Está claro que tem algo a ver com a minha linhagem…, mas por quê?
O cenho de Daimon se fechou ainda mais. Sua aura vibrou pesada e densa ao meu redor. Ele fungou como se estivesse farejando o ar, buscando respostas nos meus hormônios ou nas entrelinhas da minha dúvida.
— Ele usou o sangue de Alec. — A voz de Daimon saiu entre dentes cerrados, os olhos cintilando num vermelho pulsante, animalesco. — Isso foi o que deu poder suficiente ao desgraçado para lutar de Alfa para Alfa… quase como um Supremo completo. — Rosnou baixo, e suas presas se projetaram com brutalidade. — Eu vou fazê-lo sangrar por ter tocado no sangue da minha princesa.
Engoli em seco com o impacto da fúria que emanava dele. Sua aura vibrou ao redor do meu corpo como eletricidade bruta. Mas não consegui evitar o sorriso largo que surgiu no canto da boca. Um rosnado protetor como aquele... era a prova viva do pai feroz que ele havia se tornado. E, sinceramente, nada me excitava mais do que ver esse lobo em modo caçador por nossa filha.
— Então foi por isso… — murmurei, encostando a cabeça em seu peito quente, ouvindo o ritmo acelerado do coração dele contra minha bochecha. — Ele sequestrou as crianças para conseguir poder Ancestral.
Daimon deslizou as mãos grandes pelos meus braços, traçando círculos lentos e possessivos, que arrepiaram cada centímetro da minha pele. Arfei discretamente. Ele sabia exatamente como me tocar, como me manter presente mesmo em meio a um caos emocional como aquele.
— Esse é o poder de uma consagrada? — perguntei, sem disfarçar a curiosidade. — O sangue de uma filha minha... carrega isso tudo?
"Você carrega mais do que imagina nessas veias. Por isso te querem. Por isso nos querem. Aposto minha cauda que até Daimon ainda não entende o real valor do que tem nos braços." Rielly ronronou dentro de mim, com aquele tom debochado e delicioso.
— É difícil saber a extensão da sua linhagem, já que vem de uma Deusa… e Selene nunca se deu ao trabalho de explicar. — A voz de Daimon ecoou grave, carregada de desdém e frustração contida. Ele puxou minha perna com força, jogando sua coxa larga e musculosa por cima de mim, me prendendo debaixo daquele corpo bruto e dominante.
Seu calor invadiu meus sentidos, a pele áspera roçando na minha, o peso de sua presença me obrigando a permanecer imóvel, mas ao mesmo tempo… completamente acesa.

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