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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 298

POV: AIRYS

Ele estalou a língua, irritado, e envolveu meu quadril com um único braço, me puxando com firmeza para cima de seu colo. Minhas pernas instintivamente se abriram sobre a cintura dele, sentando-me de frente, sentindo o calor que ele exalava, denso e dominante.

— Ele não vai hesitar em destruir a alma lupina dele para dar espaço a uma essência ancestral. — brandou com frieza, como se cuspisse veneno ao falar do irmão.

Engoli em seco, sentindo um arrepio correr pela minha nuca. Minha loba ronronava inquieta, em alerta. O cheiro de Daimon se intensificava, aquela mistura de terra molhada e ferocidade viva que me envolvia por inteiro. Eu sentia a aura dele vibrando, pulsante, selvagem, possessiva.

— Você está dizendo... que ele pretende matar o próprio lobo? — questionei, a voz saindo em um sussurro arfado de incredulidade. Meus olhos se arregalaram e meus dedos se fecharam contra o peitoral nu de Daimon. — E isso... isso é possível? Há como sobreviver a isso?

Daimon fungou, o som rude e feroz, como se aquele pensamento o enfurecesse.

— Se Raiker tiver feiticeiras poderosas ao lado dele... — Daimon rosnou baixo, um som grave que vibrou contra meu corpo. — E alguém que saiba exatamente como manipular sangue divino...

Ele soltou um suspiro pesado, daqueles que pareciam pesar eras. Seu peito largo se movia lentamente com a respiração controlada, mas cada detalhe denunciava sua tensão contida. A mão pousada na lateral do meu quadril apertava com mais força a cada palavra dita, enquanto sua cabeça permanecia inclinada contra a cabeceira, os olhos fixos nos meus com aquele olhar cortante que me despia por dentro.

— A forma como ele usou o sangue de Alec... — continuou com a voz baixa, rouca, como um trovão contido. — Aquilo não foi instintivo. Houve técnica. Indica que há alguém habilidoso por trás. Não é simplesmente injetar o sangue da nossa filha nele. Isso exige certo conhecimento.

Engoli em seco, sentindo um calafrio percorrer minha espinha. Minha pele se arrepiou e meus sentidos se acenderam em alerta.

— Isso tudo parece loucura. — sussurrei, incrédula, tentando encaixar as peças daquele quebra-cabeça perverso. — Nas lembranças com a minha mãe... ela fazia rituais para tentar aprisionar Rielly. Você acha que é necessário algo assim para... ativar o sangue divino?

— Bem... de alguma forma, o poder sagrado precisaria ser despertado. — Daimon murmurou, contendo um rugido no peito.

Seu olhar mergulhou fundo no meu, e foi aí que vi. As íris cintilaram em um vermelho pulsante, como brasas prestes a devorar. Um sorriso torto, daquele tipo que sempre vem antes de algo indecente, se formou na curva final dos seus lábios.

— O que foi agora? — Perguntei, arqueando a sobrancelha, desconfiada.

Ele não respondeu de imediato. Apenas inclinou o corpo com calma predatória e mordeu meu lábio inferior com as presas, segurando com firmeza, como se quisesse marcar território. Um arrepio cortou minha espinha.

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