POV: AIRYS
O rosnado saiu abafado, grave, denso, vibrando na garganta como um trovão preso, e a aura dele se espalhou pesada, predatória, fazendo o ar da sala parecer mais denso.
"Ah, ele está pronto para matar... e confesso que esse tom me deixa toda animada." Rielly ronronou, descarada como uma loba no cio. "Alfas furiosos são meu tipo favorito."
— E se Simon não for o traidor? — Soltei a pergunta como uma faca bem-posicionada, mantendo o tom firme e os olhos cravados nos dele. — Vai conseguir dormir à noite com a consciência tranquila depois de condenar um inocente?
— Não seria a primeira vez, pequena... — Daimon bufou, afastando-me do colo com um gesto firme e se levantando. — É uma guerra. Em guerras, sempre há perdas. Culpados... e inocentes.
O rosnado abafado escapou por entre seus dentes, e seus músculos tensionaram visivelmente sob a pele marcada por cicatrizes. A aura dele vibrava, densa, bruta, como se sua fúria estivesse prestes a transbordar.
Engoli em seco, sentindo aquele poder bruto arranhar o ar ao nosso redor. Me levantei devagar e caminhei até ele, abraçando sua cintura por trás. A pele quente, os músculos firmes e o cheiro dele, aquela mistura de terra molhada, madeira e algo puramente dele, me encheram os sentidos.
Pousei o queixo entre suas escápulas, sentindo os pelos do corpo arrepiarem. O peito dele subia e descia em arfadas lentas, cada uma mais pesada que a anterior.
— Você é conhecido por ser um Alfa Supremo justo... um líder de verdade. — Comentei, minha voz baixa, firme, enquanto acariciava lentamente o abdômen rígido com as pontas dos dedos. — Sempre ouvi histórias sobre você. Mesmo com todo o medo que provocava como o grande Lycan Daimon Fenrir... ainda assim, havia respeito. Admiração. Pela forma como lidera, pela justiça que impõe.
Ele permaneceu em silêncio, mas seu corpo relaxou um pouco sob meu toque. Senti os ombros abaixarem discretamente, como se minha voz tivesse alcançado algo dentro dele.
Ele desfez o abraço com um movimento lento, carregado de tensão, e se virou completamente para mim. Seus olhos ainda ardiam em um tom terroso profundo, ameaçando rubro, como se a fera dentro dele estivesse à flor da pele.
Fiquei na ponta dos pés, envolvendo os braços ao redor do seu pescoço largo e quente. Senti a pulsação acelerada em sua nuca e o cheiro marcante de sua pele invadir meus sentidos, uma mistura viciante de poder, desejo e perigo.
— Daimon... — murmurei, aproximando os lábios de sua orelha, deixando o ar quente do meu sussurro provocar um leve arrepio em sua pele. — Como alguém que já foi julgada injustamente por crimes que nunca cometeu... eu te peço.
Umedeci os lábios lentamente, deslizando os dedos por entre seus fios escuros com reflexos acobreados. Cada toque meu era medido, firme, mas cheio de intenção. Meu olhar encontrou o dele, firme, audacioso.
— Dê o benefício da dúvida a Simon.
Ele rosnou. Baixo, mas carregado. A vibração saiu de dentro do peito e percorreu seu corpo como um trovão contido. Os olhos afinaram, ferozes, estreitos como lâminas afiadas prestes a cortar qualquer ameaça.
— Por que se importa tanto com ele? — brandou com hostilidade, os músculos do maxilar trincando com a pergunta que parecia queimar em sua garganta. — Ele não é seu companheiro.
Arqueei uma sobrancelha, e sorri de canto. Aquele tom? Soava mais ciúmes do que desconfiança.
— Isso me soou... ciumento e possessivo, Alfa. — Provoquei com ironia, sentindo o aperto de sua mão em minha cintura aumentar com força. Sua pele queimava sob meus dedos. — E cá entre nós... você fica ainda mais sexy assim.
"Você gosta quando ele quase perde o controle..." Rielly vibrou manhosa.
— Não quero ver inocentes pagarem por crimes que não cometeram — continuei mantendo meu olhar firme no dele. — E, principalmente, não quero ver você se arrependendo por condenar um amigo... seu beta. Alguém que lutou ao seu lado.

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