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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 300

POV: SIMON

Os portões da cela se abriram com um ranger longo e arrastado que ecoou pelos corredores úmidos. A ferrugem do ferro raspou nas dobradiças, anunciando o meu destino como uma sentença já escrita.

Meus pulsos ainda estavam presos em algemas de prata. Ardiam. A carne marcada ao redor das argolas latejava a cada movimento mínimo. Nos tornozelos, correntes prateadas tilintavam pesadas, acompanhando meu andar com sons metálicos irritantes, como se zombassem de mim a cada passo lento e forçado.

O corredor era estreito, escuro, com o cheiro forte de mofo, sangue seco e dor impregnado nas paredes. O chão de pedra molhada grudava sob as solas dos pés, cada passo era um lembrete do lugar onde eu estava sendo arrastado, os malditos calabouços da Fortaleza Suprema.

Fui empurrado por dois guerreiros bem treinados, por mim. O impacto fez meus joelhos cederem, quase toquei o chão, mas grunhi baixo e firme, me recusando a me ajoelhar.

"Ainda não acabou." a voz do meu lobo rugia em minha mente, firme, mesmo ferido, mesmo enfraquecido.

Ergui a cabeça devagar, a corrente puxou com força os meus braços para trás, o metal tilintou alto, e os elos gelados cortaram a pele dos meus pulsos. O cheiro de ferrugem e humilhação impregnava o ar, mas eu me recusei a baixar o queixo.

Meus olhos encontraram os dele.

O Supremo estava sentado no trono elevado, os cotovelos apoiados nos braços pesados da estrutura, as garras batendo contra a lateral do banco em um ritmo impaciente. Os olhos, vermelhos como brasas vivas, cintilavam com uma fúria silenciosa. Ele me estudava com atenção predatória, os músculos do maxilar travados. Eu conhecia aquela expressão. Incomodado. Irritado. E, acima de tudo, desconfiado.

Daimon Fenrir não era homem, nem fera, de acreditar em tudo que ouvia. Ele farejava mentiras, e naquele momento, ele estava cercado por elas.

Então vi ao seu lado.

A Luna Suprema estava sentada ali, segurando a mão dele com força. O contraste entre a brutalidade dele e a tensão nervosa dela era gritante. Seus olhos dourados passaram por mim e pararam. Não havia escárnio. Nem ódio. Havia compaixão. E um medo velado, contido, mas presente.

Ela arqueou ligeiramente a sobrancelha quando nossos olhares se cruzaram.

Algo nela me inquietou. Como se já soubesse. Como se não estivesse ali apenas como observadora. Havia julgamento, sim, mas também dúvida.

Então senti.

Aquele cheiro.

Doce, familiar e completamente envenenado.

Virei o rosto lentamente e meus olhos encontraram os dela.

Mendy.

Encostada de forma displicente a poucos metros, ela sorriu ao me encarar. O sorriso dela era torto, provocador, completamente fora de lugar para o momento. Como se estivesse assistindo ao espetáculo de sua própria obra-prima.

Os olhos dela brilharam com satisfação.

“Maldita traidora.” meu lobo rosnou fraco, a voz dele arranhava dentro de mim. “Não podemos pagar pelos crimes dela.”

Senti meu corpo estremecer. Não de medo. Mas de impotência. De nojo. De frustração por estar amarrado e silencioso diante de uma farsa construída com perfeição por alguém que um dia toquei com devoção.

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