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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 301

POV: SIMON

"Ela não deveria se expor. Isso vai custar caro." murmurou meu lobo, tenso. "Mas ela acredita. Ela sente. Ela enxerga o que os outros fingem não ver."

Airys sorriu com tristeza. Os olhos estavam marejados, e ela secou rapidamente o canto com as costas da mão. O peito dela arfava levemente. O cheiro da emoção era forte, real.

— Não arrancaram seu espírito de beta. — sussurrou, firme, mas com a voz embargada. — Simon, eu acredito na sua inocência.

Sorri de canto. Pequeno, contido, quase imperceptível…, mas real.

Mesmo sendo essa criatura impulsiva, bagunçada e atrevida, até ela… até a Luna Suprema conseguia sentir compaixão por um lobo quebrado como eu.

— Obrigado, Luna. — falei, com a voz mais firme que consegui reunir. Meus músculos gritaram quando apoiei uma das pernas e me curvei em reverência. A corrente esticou e cortou parte da minha pele já aberta. — Será uma grande líder para esta matilha. Foi uma honra a ter servido.

"Você ainda é um guerreiro, Simon. Ajoelha por respeito, não por fraqueza." murmurou meu lobo com dificuldade, como se também tentasse se manter de pé dentro de mim.

Airys respirou fundo. Seus olhos estavam molhados, mas firmes. Ela deu um passo à frente.

— Por favor, se levante. E pare de falar como se estivesse prestes a morrer. — disse, e abaixou um pouco o corpo, estendendo a mão na minha direção.

No momento exato em que a ponta dos dedos dela quase encostou em mim, um rugido explodiu no salão.

Um rugido que fez o chão tremer.

O som foi tão forte e dominante que arrancou grunhidos de vários guerreiros ao redor. Muitos levaram as mãos aos ouvidos. Outros recuaram. Eu estremeci. Arfei.

O ar ficou pesado. O poder dele preencheu cada centímetro daquele espaço.

Airys congelou por um segundo. Depois se virou com firmeza, olhos fixos no trono.

Daimon Fenrir cerrou os punhos sobre a mesa.

As presas à mostra, os olhos cintilando em vermelho sangue, os músculos tensos e o corpo inteiro emanando ameaça.

— O seu lugar é ao meu lado, Luna. — sua voz ecoou como um trovão bruto. — Não ao lado de um prisioneiro!

— Eu só... — ela gaguejou, visivelmente abalada com a explosão de fúria de Daimon.

Seus ombros se contraíram. Os olhos se arregalaram por um segundo, como se não esperasse que ele fosse reagir daquela forma. O ar ao redor ainda vibrava com a força da presença dele. Era sufocante.

— Luna, por favor... — pedi num sussurro rouco, sentindo o peso daquela tensão me pressionar por dentro. — Você ficar aqui só vai piorar as coisas para mim. Vá.

Ela me olhou com hesitação. A mandíbula apertada, os olhos úmidos. Seus lábios tremeram, mas ela assentiu com um leve movimento de cabeça.

— Aguente firme, beta. — disse, com firmeza, e se afastou.

Seus passos ecoaram no chão até ela retornar ao seu lado.

Supremo não a encarava diretamente, mas a aura ao seu redor era diferente agora.

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