POV: SIMON
O silêncio se quebrou.
— Meu Deus... — Airys sussurrou, com os olhos arregalados, levando a mão à boca com um tremor visível nos dedos. Seu rosto perdeu a cor por um segundo. Os olhos marejaram ao ver a foto. — Como...?
Ela respirou fundo, com dificuldade. O peito subia e descia, arfando.
— Simon... o que tem a dizer em sua defesa? — perguntou, com a voz embargada, firme, mas visivelmente abalada.
— Fui incriminado. — declarei com firmeza, arfando com dificuldade. As dores nas costelas voltaram a latejar com força. Cada palavra parecia empurrar as costelas quebradas contra os músculos dilacerados. — Sou um beta estrategista... acham mesmo que, se eu fosse cometer um crime contra esta alcateia, deixaria rastros?
Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, mesmo com o gosto de sangue ainda presente na boca.
O salão ficou em silêncio por um instante.
Mas o ancião não hesitou.
— Talvez a pressa o tenha deixado descuidado. — acusou ele, se inclinando levemente para frente. — Veja bem, meu jovem... temos seu DNA nos portões de segurança. As imagens mostram sua saída na noite da ruptura. A barreira da alcateia foi desativada, o símbolo sagrado nas pedras foi alterado. Poucos aqui dominam as palavras antigas... as marcas Lycan foram manipuladas por alguém com conhecimento. Alguém como você.
— Raiker é o irmão gêmeo do nosso rei Alfa. Ambos possuíam conhecimento das gravuras. — retruquei com um rosnado mais firme, sentindo a dor latejar nas costelas, mas me recusando a demonstrar fraqueza. — Se alguém além de mim podia manipular os símbolos Lycan... foi ele.
Minha voz cortou o salão com firmeza. O silêncio que se seguiu não era vazio. Era carregado. Denso.
"Não abaixa a cabeça. Mostra a eles que ainda tem sangue de beta pulsando nas veias." sibilou meu lobo dentro de mim. "Mesmo acorrentado, ainda impõe mais verdade que todos esses covardes juntos."
O ancião manteve o olhar cravado em mim, frio, preciso, sem se abalar.
— Mas não é possível derrubar a barreira de fora. — rebateu, como se tivesse certeza de que essa era a peça final. — E ainda assim, ela foi desativada por alguém com acesso interno. Tudo aponta para você.
Meus pulsos tremeram com o pequeno movimento dos meus ombros, e mesmo assim, levantei o queixo e encarei o único rosto que ainda sorria.
Mendy.
Ela cruzou as pernas lentamente, sem pressa, como se estivesse numa reunião qualquer. E então, me olhando direto nos olhos, ergueu o dedo indicador até os lábios, num gesto mudo. Silêncio. Um aviso disfarçado de provocação.
"Desgraçada." rosnou meu lobo, tenso.
— Não dirá mais nada? — Reforçou o ancião.
Mordi a parte interna da boca, sentindo o gosto de sangue se espalhar. A garganta seca. A dor nas costelas parecia apertar mais cada vez que eu respirava fundo. Desviei os olhos e encarei o conselho em silêncio. Neguei com a cabeça, uma vez. Lento. Firme. Meu corpo inteiro tremia por dentro, mas por fora, continuei imóvel.
Daimon se inclinou à frente com calma controlada, entrelaçando os dedos antes de pousar a mão pesada sobre a mesa de pedra. O som surdo do toque ecoou no salão. Seus olhos semicerrados cintilavam em vermelho, e as narinas dilatavam enquanto inspirava lentamente, como um predador prestes a atacar.
Então, rugiu. Um rugido grave, contido, mas tão carregado de força que o chão pareceu vibrar sob meus pés.
— Simon. — ele disse, sem desviar os olhos de mim, a voz baixa e cortante. — Quem você está protegendo?

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