POV: AIRYS
— Você podia ter me contado... — Continuei, o tom oscilando entre indignação e mágoa. — Eu acreditei que ele tinha morrido, caramba, Daimon! Estou destruída por dentro, e tão furiosa com você que... Arrgh, que vontade de te matar!
Ele me olhou com aquele maldito sorriso torto, o típico olhar presunçoso de quem sabia exatamente o que estava fazendo.
— Pequena, sua reação ajudou o plano. — Disse com a voz firme, quase debochada. — O seu desespero tornou tudo mais convincente. Precisava que todos acreditassem. Inclusive você.
“Vamos o caçar como punição? Arranco um bom pedaço da arrogância deles com as presas.” rosnou Rielly com pelos do dorso eriçados e a cauda chicoteando o ar.
— Não é uma má ideia. — Respondi mentalmente, ainda com o olhar cravado em Simon. Balançava a cabeça, tentando reorganizar os pensamentos que estavam em conflito. — Espera aí... Jasper sabia dessa armação? Por isso aceitou o duelo tão fácil?
— Na verdade, o garoto não fazia ideia... — Simon gemeu baixo ao tentar se erguer. Seu rosto se contraiu de dor. Mordeu os lábios ressecados, a respiração entrecortada. — Vi nos olhos dele... o desespero. Ele achou mesmo que tinha me matado.
Arfei. O sangue subiu rápido. Cerrei os punhos, sentindo os músculos dos braços contraírem.
— Qual o problema de vocês dois? — Rosnei irritada. — Ele saiu daqui destruído! Ferido, confuso, fora de si.
— Se um dia Jasper quiser ser um beta, precisa aprender a ser cruel e tirar vidas sem hesitar. — Daimon estalou a língua como se fosse óbvio, caminhando até mim com aquela calma irritante. Dei um passo para trás, o olhar carregado de indignação, mas ele apenas tombou a cabeça de lado e arqueou uma sobrancelha como quem brincava com meu limite. Farejou na minha direção, as narinas dilatando, os olhos terrosos profundo se fixando em mim.
— Está mesmo chateada comigo, coelhinho? — provocou com aquele tom debochado que só ele sabia usar.
Meu corpo inteiro tremeu. Arfei, sentindo os ombros tensionarem.
— Juro pelos meus filhos, Daimon... se eu não te amasse tanto, quem estaria no chão sem vida agora seria você. — Disparei com os olhos arregalados, cada palavra saindo entre os dentes. — Eu mesma te mataria!
O riso que saiu dele foi baixo, rouco, quase arrastado, e reverberou no peito largo. Não se abalou. Ao contrário, parecia se divertir com a minha ameaça.
Rielly bufou ao meu lado, ergueu a orelha peluda e rosnou baixinho, como se aprovasse cada sílaba da minha frase. Seu focinho se movia inquieto, captando o cheiro denso da tensão no ar.
— Francamente, não duvido disto. — Ele avançou sem aviso, quebrando a distância entre nós. Suas mãos agarraram minha cintura com firmeza, colando nossos corpos com força. Meu coração disparou.
Senti seu nariz deslizar pela curva do meu pescoço, a respiração quente contra minha pele arrepiada. As presas roçaram lentamente minha carne exposta, provocando uma reação imediata. Arfei baixinho. O toque seguia até minha orelha, onde ele mordeu de leve a ponta e sussurrou com aquele tom grave e malicioso:
— Pode me punir mais tarde, se desejar.

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