POV: AIRYS
"Uma mulher de várias versões completas e divinas." Rielly comentou com orgulho.
Revirei os olhos, mas o calor no rosto não mentia. Eu estava desnorteada.
Daimon se aproximou por trás, sua sombra me engolindo por completo. Arfei com o arrepio que subiu pela minha espinha quando senti sua respiração próxima da minha nuca.
— A poção que ele tomou foi ativada quando o corpo chegou ao limite. — explicou com a voz baixa, firme e direta, a vibração do rosnado contido ecoando no fundo. — Ela cortou os sinais vitais por alguns segundos. O suficiente para parecer morte real.
Fechei os olhos, tentando assimilar. Meus ombros estremeceram.
— Por isso expulsou todos... — murmurei, engolindo em seco.
— Sim. — ele confirmou sem hesitar. — Eu precisava dar a segunda dose, para que os batimentos voltassem e o lobo dele assumisse o controle, regenerando os danos. Se alguém visse, o plano falharia.
O Alfa se aproximou de Simon e o ergueu nos braços com uma facilidade que me deixou paralisada. Era como se o peso do beta não passasse de um saco vazio. A força dele era absurda. Bruta. Monstruosa. E mesmo eu, vendo com meus próprios olhos, tive que arquear as sobrancelhas em choque.
Meus pés avançaram por instinto, ainda sem conseguir processar tudo.
— Para onde está o levando? — perguntei, estreitando os olhos ao ver Daimon se mover em direção ao fundo da sala, próximo ao trono de pedra negra.
Foi então que o vi puxar uma parte do painel. Um clique seco ecoou e uma porta secreta se abriu como se estivesse viva, revelando uma passagem estreita, envolta por pedras escuras e cheiro de terra úmida.
— Sairemos por um caminho oculto que leva direto à fonte. — disse ele, a voz baixa e direta, como se aquilo fosse algo comum. Seu olhar me encontrou. Frio. Firme. — Como Supremo, precisei garantir um acesso seguro e rápido ao ponto mais vital do território.
Ele indicou com um leve movimento de cabeça para que eu entrasse.
Engoli em seco, sentindo o coração acelerar no peito. Um arrepio percorreu minha nuca quando passei pela entrada estreita. O ar lá dentro era denso, com umidade e energia viva. Meus sentidos estavam todos em alerta.
A porta se fechou atrás de nós, abafando qualquer som do salão.
— Confesso que estou assustada com sua astúcia e genialidade. — murmurei, parando no meio do corredor estreito, ficando bem à frente dele. A luz fraca revelava as marcas de sangue seco em Simon, que mal conseguia manter os olhos abertos, gemendo baixo a cada passo.
Meu peito apertou.
— Daimon... a alcateia não vai desconfiar? Eles vão perceber que o corpo do beta sumiu do salão. Isso vai levantar perguntas.
Ele me encarou sem pressa. Os olhos escureceram até ganharem um brilho vermelho intenso, e sua presença tomou o espaço como se o ar tivesse ficado mais denso. Seu cheiro ficou mais marcante, e eu senti um arrepio percorrer minha espinha.

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