POV: DAIMON
Simon já estava pronto. Curado. A mochila repousava ao lado das botas reforçadas, e as roupas camufladas estavam dobradas. O colar das irmãs Celestiais, que mascarava seu aroma, pendia entre os dedos dele.
Airys suspirou, e meus olhos, que já estavam nela, não desviaram nem por um segundo.
— Eu achei que você ficaria na alcateia. — Sua voz saiu mais baixa, quase contrariada. — Precisa mesmo partir?
Simon estufou o peito como um soldado em marcha.
— É meu dever como beta garantir que todos os inimigos infiltrados sejam derrubados. Assim, provarei minha lealdade e limparei minha honra.
"Claro. Todo honrado, todo correto. Só falta se ajoelhar e pedir a bênção", rosnou Fenrir dentro de mim, zombando irritado.
Meu maxilar travou. O sangue nas veias esquentou. Não pelo que ele disse, mas pelo modo como ela o olhou. Longo demais. Suave demais. Como se ele não fosse apenas um guerreiro prestes a partir..., mas alguém que deixaria saudades.
— E não é mais fácil fazer isto de dentro? — ela perguntou, a testa franzida, os braços cruzados sobre o peito, como se me desafiasse a dar uma resposta convincente.
Seu tom soava genuíno, mas a forma como olhou na direção de Simon ainda grudava na minha mente. A tensão subiu pelo meu pescoço e apertou meu maxilar. Ela não fazia ideia do quanto me tirava do controle quando se preocupava com outro macho que não fosse eu.
— Simon ficará nas redondezas da alcateia. — respondi sem pressa, mantendo os olhos fixos nos dela. — Vai tentar se infiltrar entre os inimigos usando o colar das irmãs Celestiais. Aquele que altera mais do que o cheiro... muda também os traços.
"Ótimo. Um beta com cara nova e aroma neutro. Quase um fantasma", rosnou Fenrir, a voz reverberando em minha mente com sarcasmo. "Está atento demais a esse lobo, Alfa. Por que ela quer tanto manter o beta vivo? Já temos Jasper."
— Compreendo. — Airys sorriu, e dessa vez foi um sorriso verdadeiro, leve… íntimo.
Meus músculos enrijeceram no mesmo instante. O som desse sorriso me atingiu como um alerta. Rosnei sem pensar, o som saiu baixo, grave, e antes que pudesse controlar, um rugido profundo escapou da minha garganta, ecoando pelo ambiente e me denunciando.
Os dois viraram o rosto para mim, surpresos. Ela arqueou uma sobrancelha, o brilho nos olhos dourados cintilando com aquele olhar provocador que me enlouquecia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO