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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 319

POV: DAIMON

Nos ajustamos na cama, os corpos ainda quentes, quando a maçaneta girou devagar. A porta se abriu aos poucos, revelando uma figurinha baixinha e sonolenta entrando sorrateiramente.

Alec.

Esfregava os olhinhos inchados com uma das mãos, enquanto a outra segurava com força o lobo de pelúcia preto que insistia em carregar para todo lado o “Fêfê”. Um apelido que havia irritado Fenrir no início, mas que agora o fazia ronronar internamente cada vez que ouvia.

Alec parou na porta, com os cabelos bagunçados e os pezinhos descalços no chão frio, olhando na direção da cama com aquela carinha que desmontava qualquer traço de brutalidade dentro de mim.

— Mamãe... papai estão acordados? — murmurou, manhosa, a voz fraquinha e embargada.

Meu peito apertou. Não importava o que acontecia lá fora, não importava o caos, o peso do mundo, as ameaças. Quando ela falava daquele jeito, com aquela voz suave e inocente, o Alfa Supremo desaparecia. E só restava o pai.

Airys se ergueu de leve, a voz terna.

— O que foi, princesa?

Alec deu dois passinhos hesitantes, abraçando mais forte o lobo de pelúcia contra o peito.

— Eu tive um pesadelo muito ruim... — a voz de Alec saiu embargada, fraca, quase um sussurro. O cheiro sutil de salgado no ar confirmou o que seu tom denunciava — lágrimas.

Ela esfregou os olhos, fungando, e seus ombros miúdos estremeceram. O corpo dela parecia menor do que nunca.

— Estou com medo... — completou, com um soluço preso na garganta.

Suspirei fundo, sentindo o aperto no peito. Estiquei o braço de imediato e a puxei com cuidado para cima da cama, posicionando-a entre mim e Airys. Envolvi seu corpo pequeno com o meu, protegendo, envolvendo, abafando o mundo inteiro do lado de fora com o calor do meu abraço.

— Vem cá, minha princesa... — sussurrei contra seu cabelo, o tom grave e suave ao mesmo tempo. — O papai tá aqui. Eu vou te proteger.

Ela se aconchegou em mim, os dedos pequenos se agarrando ao tecido da coberta com força. Seu corpinho tremia. Os olhos brilhavam com lágrimas que já haviam escorrido, e seus lábios estavam úmidos, trêmulos.

Mas foi sua próxima frase que rasgou algo dentro de mim.

— Eu acho... — ela fungou. — Que não tem como você nos proteger do que está por vir, papai... — a voz dela falhou, e seu queixo tremeu. — Ninguém pode.

Meu maxilar se contraiu. O coração martelava no peito com força. Instinto. Raiva do que quer que fosse capaz de causar esse tipo de sensação nela.

Airys acariciava os fios da filha, a mão firme e terna ao mesmo tempo. Sua voz veio baixa, tentando acalmar.

— Do que está falando, Alec? — perguntou com cuidado, os olhos fixos na pequena. — Esqueceu que papai é um Supremo? É claro que ele vai nos proteger. E eu também.

— Não foi o que a loba branca me disse... — ela choramingou, baixinho.

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