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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 321

POV: SAVANNA

“Savanna, é a última vez que ele nos toca.” rosnou minha loba, feroz, selvagem, faminta por liberdade. “Chegou a hora de fugirmos.”

Estava de joelhos no chão frio do laboratório. A pele marcada, o corpo dolorido, os músculos em espasmo. Mais uma maldita noite. Mais uma vez sendo reivindicada à força por aquele bastardo.

O ar estava pesado, úmido, saturado do cheiro dele. Eu arfava, os braços tremiam, a respiração cortava o peito como se cada lufada fosse um soco por dentro. A náusea misturada ao nojo queimava minha garganta.

Eu o odiava.

Minha loba se enojava.

Mas pior do que o toque dele... era o que nos ligava. O elo que não pedimos. O maldito laço do Destino.

— Eu preferia ser acorrentada a um porco do mato! — murmurei entre dentes, a voz falhando de tanto ranger.

“Pelo menos o porco não teria ego de alfa fracassado.” devolveu ela, com desprezo determinada. “Chega de humilhação. Chega de submissão. Chega de sobreviver.”

Olhei ao redor. Havia sangue seco no canto da sala. Um frasco quebrado. Algemas no canto. O som dos meus próprios batimentos se misturava ao ódio por ser sua prisioneira.

Ergui o corpo com esforço, as pernas levemente trêmulas, mas funcionais. Ainda era suficiente. A adrenalina mantinha meu corpo de pé mesmo com a dor irradiando por cada centímetro da pele marcada.

Aquele desgraçado nem percebeu.

Enquanto se deliciava com o próprio ato repulsivo, meu punho fechou discretamente ao redor da chave amarrada na cintura dele. Um deslize. Um segundo de descuido. E foi o que bastou.

Permitir Raiker fazer o que queria foi uma maldita escolha. Nojenta. Necessária.

O gosto da humilhação queimava na garganta.

Minha mão tremia, mas forcei os dedos a se moverem. Encaixei a chave na fechadura, e com um estalo seco, a trava cedeu. Respirei fundo, tentando ignorar o sangue que escorria pelas pernas, o incômodo latejante no meio das coxas, o ardor cruel entre as costelas machucadas.

“Você fez o que precisava, Savanna.” rosnou minha loba, com a voz firme. “Agora a gente fere. E depois, mata.”

Avancei pelo corredor, atravessando o armazém de armas. Estava quase vazio, mas uma única adaga de prata chamava atenção no suporte lateral. Peguei sem hesitar. A lâmina era fria, o peso certo. Firmei a empunhadura, senti o metal roçar na palma e respirei fundo.

Meu coração batia fora de ritmo. Rápido. Descontrolado.

A respiração estava tensa. Cada arfada doía. Um gemido preso me escapava toda vez que os músculos das costelas reclamavam. A boca estava seca. Mordi por dentro, o gosto metálico do sangue misturado à raiva me manteve consciente.

Andei mais alguns passos até avistar movimento à frente.

Me escondi.

Entrei em um cômodo estreito, empurrei a porta devagar e me posicionei atrás dela. Minhas mãos suadas escorregavam na empunhadura da adaga, mas eu não soltaria. Não agora.

Pisei com cuidado, colando as costas na parede.

Foi quando ouvi os passos.

Corridos.

“Tem guarda vindo.” alertou minha loba.

Minhas narinas arderam. O cheiro do sangue fresco não era só meu. Eles estavam agitados. Gritos abafados vinham de algum ponto do corredor.

Espiei por uma fresta.

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