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A LUNA HUMANA VENDIDA AO ALFA SUPREMO romance Capítulo 323

POV: SAVANNA

Me afastei da parede oposta e corri em silêncio para trás da porta, prendendo a respiração. O coração martelava descompassado, como se fosse explodir no peito. Estava suada, ensanguentada, com os músculos tensionados e a adaga firme nas mãos. Estava pronta para matar mais um.

A maçaneta girou.

Não esperei.

A porta foi aberta com brutalidade e bateu com força no meu ombro. Soltei um gemido abafado, o impacto me arrancando o ar. Mas mesmo assim, não hesitei. Movi a lâmina para frente, um corte preciso mirando o pescoço.

Só que ela não chegou nem perto.

Uma mão grande, quente e áspera agarrou meu punho no ar. Seus dedos se fecharam ao redor do meu braço com firmeza, imobilizando minhas mãos sujas de sangue acima da cabeça. Eu ofegava. Tremia. Mas não consegui reagir ao que vi em seguida.

— Nossa... deveria tomar cuidado pra onde aponta essa coisinha. — A voz grave ecoou com deboche, carregada de sarcasmo e calma irritante.

Levantei o olhar.

E ele estava ali.

Alto, ombros largos, expressão cínica e um par de olhos cor de amêndoas que cintilavam perigosamente. Intensos. Insolentes. E perigosamente... bonitos.

Engoli em seco. Por um segundo, meu cérebro travou.

— O que foi? — Ele ergueu a sobrancelha com provocação. — O lobo comeu sua língua, gatinha?

"Se não for nosso aliado, que ao menos seja bonito enquanto nos mata", rosnou minha loba com ironia.

Rosnei baixo, sentindo a garganta vibrar com o som grave. Franzi o cenho, arqueei o corpo e deixei minhas presas se projetarem. As garras estalaram quando se alongaram, afiadas, prontas pra rasgar.

Me soltei do agarre dele com um movimento brusco e avancei de novo, dessa vez mais agressiva, mirando seu tórax.

Mas o desgraçado desviou como se fosse brincadeira.

— Olha, você é rápida. — Ele riu, claramente se divertindo com a situação. Bastardo.

Antes que eu pudesse atacar de novo, ele girou o corpo com leveza absurda, agachando e se movendo por debaixo do meu braço, parando bem atrás de mim.

Sua respiração quente bateu contra minha nuca. Arfei, sentindo os pelos dos braços arrepiarem.

Ele assoviou.

— Uau... foi você que fez isso com eles? — sussurrou num tom debochado, os olhos analisando os corpos estirados atrás de mim como se fossem troféus.

Eu me virei com tudo, girando o corpo, mas ele já tinha recuado dois passos com aquele sorriso irritante colado no rosto. Aquele tipo de sorriso que você queria socar... ou talvez beijar. Mas no meu caso? Socar, de preferência.

— Quem diabos é você? — cuspi as palavras, arfando,

— Me parece que você não é uma loba que deve ser provocada. — Ele falou com descaso, dando de ombros como se eu não estivesse quase explodindo em fúria, ignorando minha pergunta com um sorrisinho de canto que dava vontade de socar até arrancar os dentes.

Virei o corpo, pronta para acertá-lo em cheio.

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