POV: JASPER
A patrulha se aproximava em silêncio coordenado. Eu seguia à frente, a respiração ritmada e o corpo preparado para qualquer investida. Os rastreadores já estavam em suas formas lupinas, espalhados em posição de cerco. Suas patas tocavam a terra com leveza, e mesmo sem palavras, a tensão entre nós era quase palpável. Estávamos prontos para o caos.
O local era menor do que o previsto nos relatórios. A vegetação ao redor exalava um cheiro ácido de urina lupina e sangue seco. Era um galpão parcialmente soterrado pelas ruínas da floresta — mas reforçado demais para ser um simples armazém. E guardado... com descuido proposital.
Estreitei os olhos.
Mas o que me chamou a atenção foi o número reduzido de guardas armando o perímetro.
— Isso está estranho. — Murmurei entredentes, mantendo os olhos fixos nos arredores.
— O que isso quer dizer? — Um dos guerreiros ao meu lado perguntou, tenso, já com as garras estendidas.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo meu lobo rosnar dentro de mim com aquele tom de sempre: ranzinza e direto.
"Nos enviaram para missão com cordeiros, para tocar do lobo." Minha fera rosnou firme na mente, a voz seca como sempre.
Arqueei uma sobrancelha, quase rindo.
— Isso quer dizer que esse lugar não é o esconderijo central... — Rosnei, mantendo o olhar fixo na construção. — Mas tem algo lá dentro que vale a pena proteger com unhas e dentes.
Dei dois passos à frente, avaliando a movimentação.
— Conseguiram localizar o maldito do lobo negro? — Indaguei seco.
Nenhuma resposta. Só o silêncio arrastado e o farfalhar leve das folhas sob o vento noturno. Entreolhei o grupo. Alguns estavam tensos demais, outros tentavam disfarçar, mas o cheiro do medo era inconfundível.
Rosnei baixo, o maxilar travado.
— Merda... Eles sabem que estamos aqui. — Estalei o pescoço com um giro seco, o estalo ecoando no silêncio denso. — Ótimo. Hora da caçada.
— Não acha que pode ser uma armadilha? — Sugeriu um dos guerreiros ao meu lado. O tom de voz tremia mesmo que ele tentasse manter a pose. — Digo, está tudo calmo demais…
Revirei os olhos, arqueando a sobrancelha com tédio.
— Com toda certeza é uma armadilha. — Sorri de canto, deslizando a mão pelos cabelos úmidos de suor. — E é por isso mesmo que vou até lá.
— Está ansioso para morrer? Depois do que fez com o nosso beta? — Acusou outro, rosnando baixo. A hostilidade escorria do tom. Leal a Simon, claro. Sempre tem um.

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