POV: JASPER
Agarrei a cabeça dele com força, sentindo os ossos do crânio sob meus dedos. Sem hesitar, empurrei com brutalidade contra o chão duro. O som seco do impacto ecoou, seguido de um grunhido abafado. Repeti o movimento. Duas. Três vezes.
A pele já se rompia. O rosto dele estava coberto de sangue. Arfava descontrolado, o corpo estremecia, se contraindo de dor.
— Desculpa... — Falei com ironia, pressionando a bochecha dele no chão sujo. — Não consegui te ouvir... Quem?
"É. O seu jeito gentil de interrogar é realmente encantador." Rosnou o lobo, cruzando as patas e deitando a cabeça sobre, com preguiça.
O desgraçado gemeu.
— C-C-Co... Collen... — Gaguejou, cuspindo sangue misturado com saliva, a boca tremendo. — Ele... ele serve aos planos de Raiker... está no galpão... no fundo...
Os olhos dele se viraram para cima como se implorassem por misericórdia. Um tremor violento percorreu seu corpo. Ele arfava, tentando se manter acordado.
— É mesmo? — Inclinei o rosto, falando mais baixo, com a voz firme, densa, carregada de ameaça. — E onde está o seu Alfa?
Rosnei, controlando o impulso de arrancar tudo de uma vez. Estendi a mão devagar, passando os dedos entre as partes ensanguentadas da pele machucada dele. Meus toques não tinham gentileza. Pressionei nas bordas do ferimento, deslizando as unhas com firmeza até rasgar as laterais com força.
O grito veio rasgado. Alto. Desesperado. O corpo dele arqueou sob o impacto, tremendo enquanto arfava, sem conseguir respirar direito.
— Onde? — Repeti, mais baixo, próximo do ouvido, sentindo o cheiro de sangue fresco e o suor do pavor escorrer da nuca dele. Meus olhos estavam fixos, frios. Eu queria respostas.
"Você realmente tem um talento em fazer o trabalho dos torturadores parecer pessoal."
— Pelo menos eu sou eficiente. — Respondi entre os dentes, mantendo a pressão.
O inimigo gemeu, soluçando, o rosto inteiro deformado de dor. Seus olhos reviravam, e ele mal conseguia focar em mim. Chorava.
— Raiker... ele... — a voz falhou, trêmula e embargada. — Ele não fica aqui... por favor... me deixa ir...
Suspirei alto, impaciente. Arqueei uma sobrancelha, já sentindo meu lobo inquieto dentro de mim. A mão firme, sem tremer, deslizou até a lateral da cabeça dele. Segurei com força e levei a garra até a orelha esquerda.
— Onde ele fica? — Perguntei de novo, agora mais direto, minha respiração colada à dele. A ponta da minha garra pressionou devagar, depois cravou. A carne cedeu. Ele gritou. Estremeceu com força. A dor fez seu corpo inteiro se contrair.
— Para, por favor! — O grito dele cortou o ambiente, rouco e alto, como se fosse arrancado direto da garganta. Uivava de dor enquanto se contorcia no chão imundo. Os dois braços quebrados estavam dobrados em ângulos errados, pendendo sem força, inúteis. O rosto dele era uma massa ensanguentada. Os olhos mal conseguiam ficar abertos, e mesmo assim ele tentava me encarar, arfando, desesperado.
— Eu juro... — Ele se engasgou com o próprio choro. — Eu não sei onde ele fica... O Alfa só aparece quando quer... Ele vem pra usar a prisioneira e dar as ordens... Depois desaparece sem deixar rastro...

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