POV: JASPER
Doce, cítrico e tão fora de lugar naquele cenário sujo e fétido que meu corpo inteiro reagiu de imediato. Arfei, surpreso com a intensidade, e meu estômago contraiu com uma sensação que não consegui nomear de imediato. Era como se o cheiro atravessasse toda a podridão ao meu redor — o sangue, a ferrugem, a prata e dominasse tudo.
Virei lentamente, como se soubesse que o próximo passo me levaria direto à fonte daquilo.
Meus olhos encontraram o corredor estreito à direita. As luzes piscavam em intervalos erráticos, lançando sombras dançantes pelas paredes cobertas de mofo e marcas de arranhões. O chão estava sujo, pegajoso, e a tensão no ar parecia mais espessa ali, mais viva.
— Hum... — Estalei a língua, arqueando a sobrancelha com deboche. — Parece que o irmão do Supremo não consegue pagar a conta de luz. Tá difícil manter as instalações em ordem, hein?
"Pare de brincar." A voz do meu lobo veio seca e direta. "Precisamos ir até lá. Agora."
Ele se agitou dentro de mim com uma força repentina, empurrando contra a superfície da minha mente. Minhas pernas começaram a se mover antes mesmo que eu decidisse. O instinto nos guiava agora, e meu corpo parecia obedecer sem questionar.
— Tá, tá... — Resmunguei, arfando, enquanto avançava em direção ao corredor.
Caminhei com passos firmes, controlados, mas atento a cada ruído. Meus olhos varriam os cantos, avaliando as sombras, os sons abafados, qualquer mudança no ambiente. O cheiro de sangue fresco invadia o espaço, mas havia algo mais.
Algo diferente.
Farejei o ar, e lá estava de novo.
Aquele aroma doce, cítrico e insuportavelmente provocante. Misturado ao fedor de ferrugem, suor e morte, ele ainda conseguia se destacar, como uma maldita isca viva feita sob medida para mexer com os sentidos.
Arqueei uma sobrancelha, arfando de leve, sentindo um arrepio subir pelas costas. Meu peito apertou, o coração acelerou mesmo sem perigo imediato. Era como se o cheiro me puxasse para frente, direto para o foco, direto para ela.
"Esse cheiro vai te deixar mais burro do que já é."
— Já me deixou mais curioso do que deveria. — Respondi, baixo.
Mal tive tempo de seguir quando dois inimigos surgiram no corredor estreito. Rosnaram e vieram correndo na minha direção, sedentos por qualquer chance de matar.
Mas eu não estava com paciência.
Desviei rápido, jogando o corpo para o lado com leveza. Agarrei a cabeça de um deles com a mão esquerda e a do outro com a direita. Sem hesitar, bati uma contra a outra com força. O som dos crânios se chocando foi seco e sujo. Um deles caiu na hora. O outro tentou se firmar, mas eu já estava com as garras cravadas na lateral de seu pescoço. Rasguei. A carne cedeu com facilidade, quente e molhada.
Eles não gritaram. Não tiveram tempo.

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