POV: JASPER
Apertei mais, segurando seus pulsos contra a parede com firmeza, sentindo a força dela resistir e o calor que irradiava entre nossos corpos. O movimento brusco fez a ponta da adaga que eu segurava se aproximar ainda mais do seu pescoço, pressionando contra a pele sensível. Ela congelou por um segundo. Sentiu o toque frio e cortante. Sua respiração falhou.
Ela arqueou levemente as sobrancelhas, o olhar oscilando entre o ódio e a tensão. Um arrepio percorreu seu corpo, e eu senti. Cada estremecer, cada tremor, cada respiração entrecortada dela encostava em mim como eletricidade. E merda… aquilo estava me deixando aceso.
— Vai me matar ou vai ficar me segurando só porque gostou do encaixe? — retrucou, com ironia escorrendo pela voz.
— Calma, selvagem... Não me faça cortar essa pele linda. — murmurei, firme, a voz baixa e rouca, deixando o ar entre nós ainda mais pesado. — Agora... que tal a gente se conhecer melhor?
Apertei seu corpo contra o meu, sentindo cada centímetro dela colado em mim, quente, tenso, pronto para reagir. Ela continuava ofegante, as narinas dilatadas, o olhar em brasa, mas não se moveu. Não dessa vez.
Inclinei o rosto devagar, instintivamente, guiado por algo primal. Mergulhei a ponta do nariz em seus cabelos, inalando aquele cheiro doce que parecia feito para me provocar. Rocei de leve o nariz na pele exposta do seu pescoço e senti seu corpo estremecer contra o meu.
Ela arrepiou.
E esse simples detalhe... esse reflexo involuntário... me prendeu ali.
— Qual o seu nome? — perguntei quase em um sussurro, os lábios próximos demais da pele dela.
E então, devagar, ela se inclinou para frente. O movimento foi sutil, mas carregado de tensão. Seus olhos subiram até encontrar os meus. Verdes. Intensos. Ardentes. Carregados de algo que eu não conseguia definir com clareza: força, desafio, talvez até... curiosidade.
Ela arfava. O peito subia e descia num ritmo descompassado, e eu acompanhei cada respiração como se o som estivesse colado ao meu ouvido. Os fios negros estavam grudados no rosto dela, suados, manchados de sangue. Ainda assim, linda. Linda de um jeito que me desconcentrava.
Sua boca estava ferida, os lábios rachados, machucados..., mas ainda tinham aquele tom suave de rosa queimado, aquela maldita perfeição torturante a centímetros dos meus. Ela aproximou mais, e meu corpo reagiu por conta própria, meus dedos apertaram de leve seus punhos, sentindo o calor dela contra minha pele.
— Sou Savanna. — ela sussurrou, a voz rouca, baixa, carregada de tudo o que a situação não permitia: tensão, desejo e um desafio implícito.
No momento em que ela falou, senti. O nome. O som. O jeito que saiu da boca dela. Tudo. Me atravessou como uma descarga elétrica. Aquele maldito nome correu por mim como um choque, acordando cada parte adormecida do meu corpo, e explodiu no centro do peito com um uivo mudo que me deixou sem ar por um segundo.
Ela pareceu sentir o mesmo impacto que me atingiu quando nossos olhares se encontraram. Vi os espasmos percorrendo seu corpo, sutis, mas presentes. Seus olhos se arregalaram por um segundo, e ela engoliu em seco. A boca se entreabriu, perplexa. O peito arfava, e algo ali, naquele momento, me dizia que ela também estava tentando entender o que diabos tinha acabado de acontecer entre nós.
Mas Savanna não era do tipo que se deixava levar.

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